BOTE DO CEARÁ

Bote é um termo genérico que normalmente designa uma embarcação de pequenas proporções e de boca aberta. Mas, no Ceará, é um barco de características mercantes.

O bote do Ceará surgiu na medida em que a Jangada Nordestina perdia sua funcionalidade. Ele é utilizado na pesca litorânea, inclusive da lagosta, tão farta no litoral do Ceará.

O seu design é bem funcional, e sua capacidade de carga, autonomia, segurança e conforto superam as tradicionais jangadas. O casco não apresenta particularidades. No convés nota-se a presença de uma baixa cabine à ré, para o alojamento padrão, e pela escotilha a meia-nau tem-se acesso ao porão de conserva do gelo e do pescado.

Desenho ilustrativo do bote do Ceará.

Ao lado do mastro há uma escotilha que leva ao porão de vante para a guarda de utensílios de pesca e da tripulação. Quanto ao velame, arma-se um bastardo de grandes proporções.

O mastro é curo e estaiado, e a verga, mais longa do que comprimento do barco, tem uma extremidade curvada, sendo a vela por isso apelidada de "rabo de galo".

Botes do Ceará navegando próximo à praia.

A verga é içada por uma ostaga que passa de vante para ré, por um furo no topo do mastro. Este dispositivo permite que, ao cambar, a verga mude de bordo por ante à ré do mastro. Da jangada o Bote do Ceará só herdou a âncora, conhecida como fateixa.

Estas embarcações são hoje muito populares em toda a costa nordestina, ocorrendo aos milhares na costa cearense.