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Se
examinarmos a estrutura de
um saveiro, constataremos que o casco tem do ponto de vista da resistência aos
esforços de flexão, torção e cisalhamento sua
forma perfeitamente adequada. Se considerarmos as ondas de comprimento
próximo ao tamanho do
casco, ora este funciona como uma viga bi-apoiada, ora como uma viga com dois
balanços. Em princípio, para pouca carga, o casco do saveiro “trabalha” em
todo seu conjunto como uma peça oca. O caso mais desfavorável seria o de máximo
de altura de uma onda com apoio no meio, centro de carena do casco. As peças
superiores, longitudinais, seriam tracionadas. Todavia, neste caso, como a carga
do barco atua sempre no sentido de comprimir as peças das madeiras superiores
no convés, assim alivia a situação aparentemente mais desfavorável.
Além
do casco trabalhar como um todo, se a sua deformação atinge valores limites
pelo dinamismo das forças atuantes, concomitantemente entra em ação o
conjunto das peças inferiores, quilha e sobre-quilha, e nos bordos superiores
cinta e dormente com grande capacidade para resistir aos esforços de flexão.
Então, as cavernas, dispostas em distâncias regulares, no trecho em que ficam
interpostas entre a quilha, sobre-quilha, cinta, contra-cinta e dormente
funcionam como tarugos, formando o que se chama de viga composta de peças maciças
por entarugamento e, como tal, sua resistência à
flexão é no mínimo 5 vezes
a capacidade de cada peça de per si: quilha e sobre-quilha, cinta e dormente.
Por outro lado, observando a estrutura do casco, vemos um verdadeiro reticulado formado de: peças verticais, as cavernas, e peças horizontais, quilha e sobre-quilha, interiormente os vaus, dormentes e contra-dormentes, as exteriores, cinta, contra-cinta, piso e tabuado na cobertura do casco. O reticulado assim formado constitui uma disposição bem adequada para resistir aos esforços cisalhantes, sejam os provenientes da flexão e da torção provocadas pelo balanço do casco nas ondas obliquas ou mesmo má arrumação da carga.
E pensar que, antes da era cristã, já
navegavam barcos com características técnicas estruturais contemporâneas.
DIMENSÕES DO GRAMINHO
Os mestres construtores de saveiros utilizam um sistema peculiar, com unidades de medidas de comprimento, baseado nas dimensões da mão:
Palmo: palmo indiano ou palmo árabe.
Distância entre a ponta do dedo polegar e a ponta do dedo mínimo, medida com a
mão totalmente aberta, equivalente a cerca de 20 centímetros.
Chave: distância entre a ponta
do dedo indicador e a ponta do dedo médio, usados abertos como pernas de um
compasso, equivalente a cerca de 10 centímetros.
Polegada: distância equivalente
a largura do dedo polegar, medida na altura da falange, equivalente a cerca de
2,5 centímetros.
Os mais versáteis construtores
utilizam há bastante tempo o "centibro", também muito conhecido como
centímetro.
Ainda existe o tonel, como
unidade de medida do espaço de carga existente na embarcação. Um tonel
equivale a 1.000 Kg de carga de densidade média no saveiro.
O assunto é complexo, devido aos
diferentes critérios adotados por instituições, como: registros, seguros, tráfegos
marítimos e outros.
Baistrocchi, o almirante
italiano, autor de
CONSTRUÇÃO DO GRAMINHO
Por falta de conhecimento de uma
simples divisão aritmética, os mestres com um compasso de ponta seca dividiam
o graminho em quatro partes: a metade dividida pela metade e a outra metade
dividida pela metade, tanto vertical como horizontal.
2- Na parte inferior do graminho,
do lado esquerdo, usa-se um centro de um quarto de círculo, cujo raio tem a
dimensão da base do graminho. A periferia de um quarto de círculo será
dividida em quatro partes (metade dividida pela metade, etc...) com três raios
que, na interseção do círculo, projetaram pontos de encontro do último raio
com a última marcação horizontal, do penúltimo raio com a penúltima marcação
horizontal e, finalmente, o primeiro raio com a marcação horizontal da metade
do graminho. No encontro destes pontos com o do extremo superior esquerdo,
riscaremos com fasquilha (regúinha de perfil quadrado que não deforma) a metade
da curva da proa que também serve para a popa - para os saveiros originais de
proa dobrada ou rabo de peixe. 3- Use o primeiro e segundo procedimentos do graminho para a confecção de um graminho menor (na dimensão de três quartas partes verticais e por três quartas partes horizontais), onde teremos o contorno da linha d'água.
O
tamanho do graminho, conforme a capacidade de carga nas escalas, é que determina exatamente o corte transversal da quilha,
sobre-quilha, cadaste, porta do leme, espessura do chapuz, roda de proa, banco e
tamborete, dimensionados e programados estruturalmente. 5- Três partes verticais do graminho dimensionam: cinta, tabica, escotilha, banco, dormente. 6- Duas partes verticais do graminho dimensionam: contracinta, serreta, ripão do tijupá e cabeços do corrimão.
7- Uma quarta parte do graminho dimensiona: taboado do casco, cobertura do tijupá, taboado do lastro solto e farca. 8- A metade do graminho representa a espessura das cavernas, das latas (vaus), pé de carneiro, cumeeira do tijupá, frades e cabeços 9- A diferença da linha de bordo para a linha d’água, na parte superior esquerda, é o balanço de proa, é popa (rabo de peixe). Na parte inferior direita do graminho é a diferença da linha d’água para a do bordo superior. Esta perda de reserva de flutuação é um dos fatores responsáveis pela integridade dos mastros (sem estaiamento), conforme já foi descrito anteriormente. 10- Os dois quartos de círculos (o maior e o menor) representam no tamborete as aberturas para os mastros (maior e menor), já com a folga das cunhas de ajuste.
Quanto às escalas, as medidas naturais delas: palmo = 20 cm, chave 10 cm e polegada = 2,5 cm - são obtidas, exclusivamente, a partir de um graminho dimensionado para a construção de um saveiro de 100 palmos de roda-à-roda. Ou seja: uma tábua nas dimensões de 1 palmo por 2 palmos é o graminho padrão. Para as embarcações com dimensões superiores ou inferiores aos 100 palmos acima referidos, adota-se as seguintes relações: 1- Saveiro de 150 palmos: Palmo 30 cm Chave 15 cm Polegada 3,75 cm Para montar o graminho (a relação é de 1 : 2 divididos em quatro partes na horizontal e na vertical, vide desenho não aumentar em duas partes na horizontal e duas na vertical, nas dimensões do graminho padrão. 2- Saveiro de 125 palmos: Palmo 25 cm Chave 12,50 cm Polegada = 8,12 cm O mesmo procedimento, aumentando uma vez as partes na dimensão do graminho padrão. 3- Saveiro de 100 palmos (graminho padrão):Palmo 20 cm Chave = 10 cm Polegada 2,5 cm Já bastante descrito. 4- Saveiro de 75 palmos:Palmo 15 cm Chave = 7,50 cm Polegada 1,87 cm O mesmo procedimento: ao invés de aumentar, diminuir uma vez as partes, na dimensão do graminho padrão. 5- Saveiro de 50 palmos:Palmo 10 cm Chave = 5 cm Polegada = 1,25 cm.
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