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MADEIRAS E FERRAMENTAS PARA O
SAVEIRO
A
influência da lua na madeira é de grande importância. Tiradas na força da
lua (lua cheia) ou até 3 dias antes, passando pelo quarto minguante até a lua
nova, as derrubadas neste período são de ótima qualidade. Tiradas depois da
lua nova, passando pelo quartocrescenteaté3diasantesdaluacheia, as madeiras estão
sujeitas a rachaduras e bichamentos (sabedoria dos velhos lenhadores da mata).
Com
a lua cheia, uma quantidade maior de seiva é preservada no organismo da
madeira, dando-lhe uma qualidade superior e menos ressecada que aquelas tiradas
em outra fase da lua, quando há menor quantidade de seiva, O processo é um
fator físico da lua sobre os líquidos.
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Forma de
encurvar uma madeira conservando a flecha.
Apoiar nas extremidades e colocar pesos no centro.
Preparar um braseiro e de vez em quando untar com azeite de dendê,
deixando a madeira engastada da forma por alguns dias. |
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As
madeiras mantêm suas boas qualidades estruturais, dependendo muito do seu
posicionamento na terra. As situadas nos divisores de águas (topo dos morros) são
nascidas em terras mais secas, sujeitas a ventos constantes, tornando-se de alta
resistência. Normalmente, são mais baixas, mais volumosas e de fibras mais
curtas, concentradas e com maior peso específico. Seu aproveitamento maior na
construção do saveiro, é para as curvas, cavernas, utilizando-se as raízes e
galheiras dos troncos, com aproveitamento em tamboretes, bussardas, quilhas e
sobre-quilhas, roda de proa, cadaste, e outras peças que, na estrutura do
saveiro, são de fundamental responsabilidade.
As
árvores, situadas em terrenos baixos ricos em humos (coletores de água), nos
vales, ganham características e qualidades especiais: são altas, mais finas,
à procura do sol, os ventos as tornam flexíveis, de fibras longas e macias.
Devido
às terras mais úmidas, essas árvores são ricas em seiva, de crescimento rápido,
são excepcionais para mastros, cintas, contra-cintas, tabuados e em todo
momento que se faz necessário vergar a madeira.
As
toras, pranchões e peças são estocadas nos estaleiros, por vezes durante anos
e enterradas na lama dos mangues para manutenção de suas qualidades, evitando
a evaporação da seiva e o ressecamento, protegidas pela umidade e a baixa
temperatura. Os tabuados são arrumados em diversas formas, sempre bem
ventilados, para o pré-encolhimento no desempenho da sua função.
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O mesmo
processo para dar uma forma helicoidal nas tábuas de rebordo entre a
quilha e a roda de proa e da popa. |
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As
madeiras são derrubadas e desdobradas nas matas para facilitar o transporte,
sendo arrastadas por parelhas (junta de boi) até os rios ou braços do mar e
transportadas em canoas com os toros atados nos bordos ou atrelados em duas
canoas em forma de catamarã. Quero lembrar que o peso específico de muitas
dessas madeiras é maior do que da água e não flutuam.
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Trabalhando
com um enxó de pé. |
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MASTROS
DOS SAVEIROS
As
madeiras mais usadas são: bariba,
conduru, sucupira, inhaiba, pau-d’óleo e capoava vermelha. São troncos de árvores
crescidas nas áreas coletoras de água dos morros, os vales. São madeiras
cortadas nos períodos de força da lua e enterradas na lama dos mangues por um
longo período de cura até a sua utilização. São peças de grande
responsabilidade, linheiras e flexíveis, das quais é utilizado apenas o âmago
(cerne), sendo retirada da periferia a casca e as partes brancas (denomina-se
roletar ou tornear o mastro), deixando-o o mais redondo e liso possível, para
melhor correrem às empunhadeiras. As suas pontas são aproveitadas a partir do
início das galheiras, a uns dois, três metros ou mais, mantidas as pequenas
deformações naturais muito ao gosto dos mestres carpinteiros e saveiristas.
Nas
pontas superiores dos mastros, os topos das madeiras são protegidos por galeta
ou por bolacha, também conhecida por andorinha, sendo mais usada a com seu
tradicional acabamento. Outra terminação utilizada nos mastros dos saveiros,
da qual não conseguimos encontrar as origens, é a escultura na forma de pomba
de madeira, por sinal um acabamento belíssimo. Os menos empregados são os
terminais em chifres de boi, que oferecem maior proteção ao topo dos mastros,
lugar suscetível de deterioração, se não for protegido.

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