BARCAÇA DE TRÊS-PAUS

No início do século passado surgiram em Pernambuco as primeiras Barcaças de Três-Paus, uma mescla do iate convencional europeu com as canoas de embono regionais.

Embora o termo barcaça seja bastante genérico,  na Costa Nordeste define um tipo específico de embarcação: um casco robusto de seção mestra retangular, fundo de prato, popa de espelho, cadaste quase na vertical e a roda de proa retilínea com uma caimento para vante. 

O convés era bem amplo: à ré do mastro grande havia uma pequena cabine para o comandante, a tripulação ou passageiros; a vante existia uma grande escotilha, chegando quase até o mastro do traquete; mais adiante ficava a cozinha e, lá na frente,,perto do bico de proa , o mastro da coringa.

Barcaça de Três-Paus do litoral pernambucano.

A armação de de velas latinas quadrangulares, com retranca e carangueja pouco repicada, é bem diferente da Região da Costa Norte. 

A maior característica da Barcaça de Três-Paus é a coringa, pelo fato de ter a mais longa do que o espaço entre o mastro e o traquete. Isto poderia ser inconveniente na virada de bordo, mas esse problema ocorria porque a retranca mantinha a vela aquartelada, até que o barco tivesse se firmado no novo rumo, quando então ela era içada por um amantilho, passando para o novo bordo.

Existiam duas variações da Barcaça de Três-Paus: Barcaça Baiana, com gurupés e o respectivo velame, e a Perua, também na Bahia, que no lugar da coringa usava uma vela redonda.

Hoje as pesadas Barcaças de Três-Paus estão totalmente ultrapassadas aparecendo apenas em livros antigos e fotografias.