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Américo Vespúcio |
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Américo Vespúcio
(Americo Vespucci) afirmou ser o primeiro homem branco que chegou ao Novo Mundo. Em 1507,
em sua homenagem, o geógrafo alemão Martin Waldseemüller deu àquelas terras
o nome de América.
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Atualmente, as reivindicações de Vespúcio parecem
exageradas; de fato, ele não foi um explorador no sentido tradicional da
palavra, limitando-se a continuar as experiências e tentativas de outros
(sobretudo de Cristóvão Colombo), para poder explicar e valorizar o alcance das
suas descobertas. Por isso, Vespúcio foi classificado como divulgador,
comerciante, aventureiro e, até mesmo, como impostor, mas, seja como, o Novo
Mundo ainda hoje tem o seu nome.Américo Vespúcio nasceu em
Florença em 1454 (algumas fontes datam o nascimento em 1451). Seus progenitores
eram de classe abastada e, embora se conheça mal sua juventude, tinha uma boa
preparação cultural que ia do latim à astronomia e da geografia à
filosofia. O pai era notário e, com toda a certeza, contribuiu para despertar
no filho o interesse pelas questões comerciais, que o levou a trabalhar para os
banqueiros Lorenzo e Giøvanni di Pier Francesco de Médici.
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Em 1478, Vespúcio
foi convidado a ir para Paris por conta do banco, e sabe-se que ainda
trabalhava para eles quando, em 1489, se mudou para Pisa e Pioinbino. Em 10 de
março de 1491, Vespúcio e Giannotto Berardi, um amigo florentino e possível
agente do banco de Pier Francesco de Médici, partiu para Cádiz, na Espanha.
AS PRIMEIRAS VIAGENS
Em 1495, Vespúcio era fornecedor naval do porto
de Cádiz, e desconfia-se que tenha equipado os navios para a segunda viagem de
Colombo (1493) e de também ter se encarregado da terceira (1498).
No final de
1498, recebeu-se em Cádiz a notícia da chegada de Colombo ao Caribe (a um
lugar a que chamou Trinidad) e do seu breve périplo pelo litoral da atual
Venezuela. Vespúcio teve acesso ao mapa enviado pelo descobridor e decidiu
seguir a mesma rota.
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Em virtude de suas relações e, quem sabe, por ser agente
de um rico banco florentino, dispunha das influências e do financiamento
necessários para empreender uma expedição com essas características. Em
contrapartida, é muito difícil estabelecer a verdade acerca das viagens que
realizou.Segundo seu próprio relato,
acompanhou a expedição de Colombo de 1493, mas alguns historiadores acreditam
que participou na terceira viagem e regressou à Espanha a bordo do Correo no
final de 1498, preparando-se para voltar e partir imediatamente para se
aproveitar do descobrimento de Colombo. |
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É óbvio que o relato de Vespúcio é diferente: afirma ter financiado e realizado uma viagem própria em
1497, durante a qual ele, e não Colombo, foi o primeiro europeu a desembarcar
no novo continente. As distâncias que Vespúcio assegura ter percorrido e os
lugares que tocou não são corroborados por documentos oficiais.
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De qualquer
modo, numa época em que as notícias chegavam com dificuldade e eram refutadas
com igual dificuldade, não faltou quem acreditasse nele, em especial o
geógrafo Martin Waldseemüller, que deu o seu nome ao continente, negando a
Colombo a grande honra que lhe era devida.Há muitas dúvidas sobre a
pretensão de Vespúcio de ter atravessado o Atlântico em 1497; em
contrapartida,
é certo que realizou a viagem em 1499 na companhia de Afonso de Ojeda e Juan de
la Cosa, o armador da Santa Maria.
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A pequena frota de três ou quatro caravelas
zarpou de Cádiz em 16 de maio de 1499 e fez escala nas ilhas Canárias para
completar o abastecimento; depois, seguiu a rota da terceira expedição de
Colombo, para o sul até as ilhas de Cabo Verde e, a seguir, para ocidente para
atravessar o oceano , mas chegou ao novo continente muito mais a sul. Nesse
ponto, segundo o relato de Vespúcio, as caravelas separaram-se e ele conduziu
os barcos para sul, esperando dobrar o cabo de São Roque para encontrar depois
a rota da China. Não conseguiu, mas no regresso descobriu o estuário do
Amazonas (seis meses antes de Vicente Yañez Pinzón), antes de voltar a
atravessar o equador e explorar a costa Noroeste, até a atual Venezuela.
Entretanto, Ojeda tinha conduzido
o resto da expedição para norte, esperando encontrar e explorar a zona
produtora de pérolas que Colombo assegurava ter visto em águas da costa
venezuelana. Não há a certeza quanto ao lugar em que Vespúcio juntou-se a
ele: algumas fontes supõem que em São Domingo, outras afirmam que eles
exploraram a costa venezuelana até o lago Maracaibo. A expedição regressou
à Espanha no final de junho de 1500, recuperando parte dos gastos com a venda
dos escravos capturados no Caribe.
No final de 1500, os relatos
sobre o descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral chegaram à corte
portuguesa, e o rei D. Manuel 1 confiou a Vespúcio a missão de realizar uma
viagem de exploração ao longo da costa do novo continente, a fim de determinar
a extensão da terra firme. O florentino zarpou de Lisboa em maio de 1501, e
em junho chegou a Cabo Verde. Logo a seguir, rumou para sudoeste e, ao encontrar
a costa do Brasil, dirigiu-se para sul. No dia de Todos os Santos estava na
Bahia (Salvador) e, em janeiro de 1502, chegou à baía do Rio de Janeiro, mas
prosseguiu viagem. Alguns afirmam que já tinha chegado a um lugar da costa da
Patagônia (Argentina meridional; atualmente ;São Julião) vinte anos antes de
Fernão de Magalhães. Pode ser verdade, mas parece que continuou rumo ao sul. A
chegada do inverno obrigou Vespúcio a regressar a Europa, mas a expedição
havia avistado uma ilha rochosa e desolada, que se diz ser a Geórgia do Sul. A
chegada a Portugal ocorreu em 22 de julho de 1502 (para algumas fontes, em 7 de
setembro).
De qualquer forma, uma coisa é
evidente na viagem de Vespúcio: a terra que se estendia tanto para sul não
podia ser a China nem o Japão, descobertos por viajantes que tinham se dirigido
para oriente, mas sim todo um continente separado dos demais. Colombo. que nessa
época desembarcava na costa da América Central, na região da atual Honduras,
durante sua quarta e última viagem, ainda não conhecia a parte ocidental do
continente. Seja como for, concede-se a Vespúcio o grande mérito de ter
deduzido pela primeira vez que as novas terra tinham uma extensão continental e
que Colombo não havia descoberto Catai, mas sim um novo mundo.
UMA QUARTA VIAGEM?
Mas era necessário encontrar a
rota para dobrar o continente pelo sul e, assim, chegar à verdadeira Índia.
Vespúcio começou a organizar uma expedição às ilhas das Especiarias em
busca da rota meridional, e induziu alguns a lhe atribuírem uma quarta viagem.
Não resta nenhuma dúvida quanto ao fato de ter sido enviada uma expedição
portuguesa em 1503-1504, mas o seu objetivo não era chegar à Índia e, sim,
fundar uma colônia de cristãos no Brasil.
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As notícias sobre essa viagem são
incompletas: de qualquer forma, os documentos não citam a presença de
Vespúcio e, ao contrário do seu bem-documentado relato da sua suposta viagem de 1497, não parece que fale na primeira
pessoa. A missão foi pouco menos que um desastre, e apenas um dos seis barcos
que partiram regressou ao porto.Depois de ter sido felicitado na corte portuguesa
pela descoberta do novo continente, Vespúcio regressou a Sevilha onde, em 1505,
lhe foi concedida a cidadania espanhola e se converteu em membro da Casa da
Contratação, um departamento do Governo especializado em questões de
geografia e navegação. Quando Colombo morreu, em 20 de maio de 1506,
atormentado e desiludido, Vespúcio encontrava-se no auge do sucesso. No ano
seguinte, Martin Waldseemüller publicou os relatos das suas viagens num livro
intitulado Cosmographiae Introductio, e chamou de América, em sua homenagem, o
novo continente. |
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Em 1508, o rei da Espanha recompensou Vespúcio com o cargo de
piloto-mor, um título de prestígio que conservou até a sua morte. ocorrida em
22 de fevereiro de 1512. As teorias de Vespúcio demonstraram-se corretas em
1520, quando ao dobrar o extremo sul do continente, Fernão de Magalhães entrou
no oceano que chamou de Pacífico.
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