AFUNDEM O BISMARCK

 

Talvez o navio mais conhecido no mundo todo depois do Titanic seja o encouraçado alemão Bismarck. O principal motivo para tanta fama está no fato dele ter destruído o orgulho da marinha britânica o cruzador de batalha HMS Hood. Devemos ter em mente que em 1941 o reinado do encouraçado estAva chegando ao seu final como seria comprovado meses depois pelo ataque japonês a Pearl Harbor.
É Inegável o poder desta embarcação mas,  naquele momento,  estavam para ser lançados os navios japoneses Yamato e Musashi com poder de fogo e blindagem bem superiores ao Bismarck. 

Até o final da guerra apareceriam outras belonaves bem mais poderosas como o Missouri norte-americano, o Valiant inglês, mas  nenhum desses navios teve a fama do Bismarck. Nem mesmo seu irmão gêmeo o Tirptz herdou esta aura! Nunca na história naval,  colocou-se tantos navios a caça de um único oponente. O motivo foi eminentemente  político. Tivesse o Hood atingido o Bismarck com uma salva feliz e provocasse sua destruição, o navio mais famoso do mundo teria sido o próprio Hood e não o Bismarck. 

Propaganda nazista dando incentivo aos jovens alemãs a se alistarem na marinha de guerra.

A Inglaterra vinha de uma sucessão de humilhantes derrotas. Na França fora obrigada a bater em retirada em Dunquerque nos Balcãs, naquele exato momento, estava sofrendo um grande revés!

 A detrminada e corajosa população inglêsa vinha sendo submetida a um intenso e incessante bombardeio aéreo, fato sem precedentes em toda sua histária! O primeiro ministro, Sir Winston Churchill, sabia que se quisesse continuar a luta contra a Alemanha nazista teria de manter o moral da população elevado ou a Inglaterra sucumbiria.  Por achar inaceitável o afundamento do Hood sem uma contrapartida no  seu oponente, canalizou todos os recursos, que não eram poucos, para empreender a caça ao navio nazista que tivera  "ousadia"  de destruir a sua nave mais famosa. Este fato,  nas mãos da eficiente propaganda nazista, poderia produzir um irreparável  dano ao esforço de guerra inglês solapando o moral de toda sua população. 

Era imperativo afundar também o orgulho da esquadra nazista! Impunha-se manter o prestígio da Home Fleet a qualquer custo!

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Cruzador de batalha HMS Hood  o orgulho da marinha de guerra  britânica no inicio da Segunda Guerra Mundial.

O  couraçado Bismarck e o cruzador pesado Prinz Eugen  partiu de Gdynia no dia 18 de maio de 1941. Os alemães tinham esperanças de que o Scharnhorst e o Gneisenau (cruzadores de batalha alemães) conseguissem partir de Brest nessa mesma época, mas a RAF já se encarregara de cancelar essa parte do plano alemão. Após deixar Beijem no dia 21 de maio, Lütjens somente voltou a ser avistado quando o cruzador pesado Suffolk percebeu a presença do seu esquadrão na entrada norte do estreito da Dinamarca, rumando em direção sudoeste. O Vice-Almirante L. E. Holland, com o cruzador Hood, o couraçado Prince o! Wales e quatro destróieres, encontrava-se a cerca de 220 milhas de distância, a sudoeste da Islândia.

Poderoso encouraçado Bismarck que destruiu o Hood em poucos minutos.

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O Prince of Wales  e o Hood eram os mais rápidos entre os navios pesados de Tovey, mas o Hood já tinha mais de vinte anos de uso e não havia sido devidamente modernizado, ao passo que o couraçado não tivera o tempo necessário para atingir a sua eficiência total de luta. Durante a noite, perdeu-se o contato com o inimigo; o almirante Holland destacou seus quatro destróieres, presumivelmente para uma missão de reconhecimento, e perdeu contato com eles. Às 2h47, o Sulffok tornou a avistar Lütjens, que continuava na mesma rota. O Almirante Holland começou então a se aproximar a toda a velocidade, mas, sem dúvida para garantir a surpresa, não permitiu que o Prince of Wales enviasse o seu avião de reconhecimento, nem que seus navios usassem os aparelhos de radar. Mantendo o silêncio radiofônico, acabou se privando do apoio dos dois cruzadores e talvez também dos seus quatro destróieres.

Às 5h35, o Hood avistou o inimigo. Holland deu aos alemães uma boa vantagem tática, levando seus navios para a ação em formação fechada. Às 5h52, os quatro navios abriram fogo, sendo que o Hood atacou o Prinz Eugen, que se encontrava na frente e pensaram tratar-se do Bismarck. Os ingleses não acertaram no alvo com seus primeiros disparos, mas o Bismarck conseguiu atingir o Hood seriamente, provocando sua explosão às 6 horas. Sem dúvida alguma, os disparos atingiram o depósito de munições, que não havia sido devidamente blindado. Dos 1 419 membros de sua tripulação, apenas três conseguiram sobreviver. O Prince of Wales foi atingido por quatro projéteis de 15 polegadas e por três de 8 polegadas e se afastou, incendiado. Entretanto, antes de se afastar, conseguiu atingir duas vezes o Bismarck, danificando alguns dos seus tanques de combustíveis. Lütjens foi obrigado a abandonar sua missão e seguir em direção à França. Nesse meio tempo, o Almirantado estava tentando estender uma rede em torno da presa.

O  Almirante Somerville foi convocado de Gibraltar (24 de maio) e os couraçados Ramillies e Rodney deixaram de acompanhar comboios. Mesmo assim, a rede estava repleta de trechos não controlados e ninguém sabia para onde Lütjens estava se dirigindo. Tovey, determinado a encontrá-lo, enviou na frente o porta-aviões Victorious, com uma escolta de quatro cruzadores leves. Por volta de meia-noite, um Swordfish (avião torpedeiro inglês) conseguiu lançar um torpedo contra o Bismarck; entretanto, como esse torpedo atingiu a sua principal parte blindada, poucos danos foram causados. Nessa mesma noite, os dois navios de guerra alemães resolveram seguir rumos diferentes. Ao mesmo tempo, o Almirante Dõnitz havia dado ordens para que seus submarinos suspendessem as operações contra os navios mercantes e deslocou sete deles para posições ao sul da Groelândia, na esperança de conseguir torpedear unidades importantes da esquadra inglesa.

O Bismarck sendo possivelmente aparelhado para a sua primeira e última missão de combate no Atlântico.

 

Nas primeiras horas da manhã do dia 25, Lütjens desviou sua rota, passando a se dirigir para a França ocidental e, agindo dessa forma, conseguiu se livrar dos cruzadores ingleses que o seguiam. Tovey, que às 4 horas da manhã se encontrava cerca de 176 quilômetros à frente de Lütjens, foi enganado pela sinalização e por erros de cálculo, sendo levado a crer que o Bismarck estava avançando para nordes­te, e às 10h47 desviou-se nessa direção. Fe­lizmente, o Almirantado agiu segundo a premissa de que Lütjens queria chegar a Brest e colocou a Força H de Somerville, o Rodney e outras forças de tal maneira a poder cortar seu caminho. Independentemente, Tovey chegou a essa mesma conclusão, mas se encontrava então 240 quilômetros atrás de sua presa. Na noite de 25 para 26 de maio, o cerco foi se fechando, mas ninguém podia afirmar com certeza se o inimigo estava ou não sendo envolvido. Tudo dependia das patrulhas matinais do comando costeiro. Por sorte, seu comandan­te-em-chefe, o Marechal-do-Ar Bowhill, havia servido na marinha quando era um jovem oficial. Lütjen, disse ele, não se dirigiria direta­mente para Brest, preferindo chegar ao cabo Finisterre. Devido à sua insistência, uma patrulha foi enviada bem para o sul da rota direta do Bismarck para Brest. Às 10h30 do dia 26, um Catalina avistou o navio alemão 1 100 quilômetros a oeste do porto, ou seja, a apenas trinta horas de sua segurança.

Mapa de movimentação das unidades descrevendo todas as etapas desta perseguição histórica.

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Apesar das péssimas condições meteorológicas, catorze Swordfish decolaram do Ark Royal. Por engano, eles atacaram o Sheffield, que estava seguindo o Bismarck, mas o cruza­dor foi suficientemente habilidoso para conseguir evitar os torpedos desferidos pelos seus colegas. Um segundo ataque, desferido pouco antes do anoitecer, conseguiu atingir duas vezes o Bismarck. Um dos torpedos atingiu a parte blindada, mas o outro danificou suas hé­lices e emperrou o leme do navio. Sua velocidade diminuiu. Os destróieres do Capitão Vian atacaram durante a noite e talvez tenham acertado mais dois torpedos no alvo. Por volta das 8h45, o Almirante Tovey aproximou-se com o King George V e o Rodney e em menos de duas horas conseguiu silenciar os canhões do Bismarck, incendiando-o totalmente. 

Coube aos poderosos canhões do HMS Rodney           (ao lado)  juntamente com o HMS King George V a destruição do Bismarck.

Finalmente, atingido por mais torpedos, o navio acabou afundando às 10h36, com todas as suas bandeiras hasteadas. Praticamente, todos os 2.000 membros da tripulação pereceram. Lütjens havia combatido valorosamente, mas a perda do Bismarck representou um enorme alívio para os ingleses, justamente numa época em que a guerra não estava se desenvolvendo favoravelmente para eles.