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Nesta época a Inglaterra passava por profundas transformações em decorrência da ruptura de sua igreja com Roma, centro do catolicismo. O Rei Henrique VIII provocou esta separação visando atender a seus próprios interesses! O fato concreto é que Roma não aceitava o divórcio, e como sabemos, o rei Henrique casou-se diversas vezes! A crise instaurou-se quando o monarca anunciou um novo casamento entrando em confronto direto com o Papa. Com o cisma adotou-se uma igreja própria na Inglaterra de caráter bastante rígido banindo o catolicismo daquele reino. Nesse período histórico a Igreja e o Estado se confundiam, em certas ocasiões eram a mesma coisa, como foi o caso de Richilieux na França! Do seio desta crise surgiram diversos grupo religiosos mais notadamente os Quarkers, Diggers dentre outros. Estes eram aceitos pelo rei por seguirem os princípios básicos da Igreja oficial (do rei). Dentre as muitas novas denominações uma se destacou por sua rigidez, os Puritanos! Queria ir mais além e fundar a sua própria igreja com suas próprias leis haja vista entrarem em confronto direto com a Igreja oficial. Isto no século XVII era inaceitável por se entender ser uma afronta ao poder constituído! Estava formada mais uma crise! O rei ficava de mãos atadas! Nada poderia fazer! Estes religiosos não conjuravam contra o poder do real! Apenas discordava da sua igreja não da sua política! Haveria grande risco de transformá-los em mártires caso mandasse simplesmente prendê-los! Politicamente era um barril de pólvora! A saída mais viável foi permitir, mesmo que de forma velada, que estes saíssem da Inglaterra e migrassem para um outro país, se livrando desta forma dos incômodos religiosos. Devido ao problema com o clero de Roma, e as disputas com outros países vizinhos, o melhor mesmo era evitar qualquer fato que desestabilizasse o seu governo. O problema é que a Europa em quase na sua totalidade passava por uma fase de extrema intolerância religiosa. A Espanha era uma grande potência católica que impunha em seus territórios e área de influência a linha religiosa do clero de Roma! O país mais viável para os puritanos foi a Holanda. Esta pequena nação libertara do jogo espanhol não havia muito tempo, e era mais tolerante no que se refere a religiões! Após passarem um bom período de paz na Holanda aproximadamente 12 anos, tomou-se conhecimento que este país entrara em nova guerra com a Espanha e havia uma grande possibilidade de ser invadida pelas tropas católicas espanholas! Tal possibilidade deixava o grupo simplesmente apavorado haja vista o que a Espanha já fizera com a santa inquisição, lembram? Urgia sair da Holanda antes que as tropas espanholas lá botassem os pés! Mas ir para onde?
Ao mesmo tempo, o clima da América do Norte era bem mais parecido com o da Inglaterra por estarem no mesmo hemisfério, o clima da América do Sul clima tropical, portanto muito quente . Este novo aspecto foi mais um fato determinante na sua escolha em ir para o norte . Os puritanos, agora conhecidos como "pilgrims" (peregrinos), não serão os primeiros anglo-saxões a migrarem para a América do Norte, antes deles já havia sido fundada a vila de Jamestown.
Para poderem lá se estabelecerem, teriam que pedir uma permissão à coroa! Os puritanos como sabemos, não eram bem vistos pela corte e o clero. Na verdade eram um problema para o rei haja vista o seu antagonismo com a igreja oficial. Ora! O nobre soberano não poderia fazer um acordo formalizado porque entraria em atrito com o clero oficialmente constituído, no intuito de se ver livre daqueles indesejados súditos, achou por bem dar a permissão de estabelecimento, mas de forma informal, "autorizando" que eles ocupassem uma área livre naquelas terras de maneira que mais lhe aprouvesse. Com este acordo precariamente costurado os pilgrims começaram os preparativos para a expedição rumo ao Novo Mundo. Solucionada a questão relativa a autorização do rei para se instalarem no Novo Mundo, os pilgrims mandam a Londres dois representantes, os senhores Robert Cushman e John Carver, para que pudessem angariar fundos necessários para a expedição. Chegando em Londres, entram em contato com um senhor muito distinto e bem relacionado, o sr. Thomas Weston, e por intermédio deste, conseguem atrair inúmeros investidores dispostos a financiar a viagem antevendo ótimos lucros para todos quando a colônia estivesse devidamente instalada. O comércio foi a chave mágica para abrir as portas aos investidores nesta empreitada. Acertados todos os detalhes, Cushman e Craver começam logo a procurar um navio que pudesse fazer a viagem. Depois de um certo tempo adquirem um barco mercante chamado Speedweel. Até aquele momento tudo estava tudo indo maravilhosamente bem. Agora bastaria ir buscar o grupo de pilgrims que estava na Holanda e rumar para o tão sonhado Novo Mundo. Em 22 de julho de 1620 o Speedweel parte de Southampton. Mas a viagem seria muito breve! Pouco depois de sair do porto chegou-se a conclusão que o barco era muito pequeno para suportar todo o grupo de viajantes, sobrecarregado como estava, dificilmente chegaria à América. Vendo a impossibilidade de prosseguir viagem, retornam a Southampton. Lá adquiriram uma segunda embarcação, bem maior por sinal, o Mayflower.
O grupo foi dividido em dois. O grupo menor faria viagem no Speedweel, enquanto o restante iria no Mayflower. E lá se vão novamente os colonos rumo à América! Em 5 de agosto de 1620 as duas embarcações zarpam. Problemas novamente! O Speedweel começa logo no início da viagem a fazer água. Tornam a voltar ao porto para reparos. Terminados os reparos, tentam mais uma vez se fazer ao mar. O Speedweel teimosamente volta a fazer água. Novo retorno ao porto! Após uma minuciosa inspeção, chega-se a conclusão que o barco estava em muito mal estado e que não teria condições de atravessar o Atlântico para chegar ao seu destino. O comandante Christopher Jones finalmente decide passar o grupo que viajaria no Speedweel para o Mayflower. Em 06 de setembro de 1620, finalmente o Mayflower parte de Plymouth com todo o grupo para a América.
Até
a metade da expedição, o Mayflower encontrará bons ventos, fazendo-o
navegar normalmente. Devido às suas formas arredondas, mesmo
com este bom tempo, a nave balançava muito fazendo com que os
passageiros sofressem de profundo enjôo, conhecido como mal do mar. Mas o
sofrimento destes intimoratos viajantes apenas começara. Ao entrar em uma
zona de ventos extremamente violentos, o navio balançou muito mais ainda,
aumentando em decorrência disso o sofrimento dos passageiros. O
Mayflower portou-se muito bem! Houve apenas um pequeno problema relatado.
Devido aos fortes ventos, o mastro principal da embarcação teve de ser
reforçado. Fora este incidente o navio navegou maravilhosamente! Um marinheiro caiu no mar durante uma tempestade, mas foi resgatado logo em seguida, dois homens desceram do barco no decorrer da viagem e a senhora Elisabeth Hopkins dará a luz a um filho que se chamará Oceanus. Nada mais ocorreu de extraordinário como podemos comprovar. Sessenta e sete dias depois da partida de Plymouth, o Mayflower lança âncoras na costa americana em frente ao local onde hoje existe o porto de Provincetown. Como os pilgrims não tinham nenhum documento escrito dando autorização para se estabelecerem, os novos colonos redigem e adotam um acordo político. O Mayflower servirá como base para o futuro governo que se estabelecerá nesta nova colônia.
A bordo do Mayflower existiam duas chalupas. A maior delas precisou ser montada porque fora transportada totalmente desmontada. Estas duas pequenas embarcações, propiciaram que se fizesse muitas explorações naquela região totalmente desconhecida. Em 06 de dezembro eles descobriram um local melhor para se estabelecerem de forma definitiva. Neste novo lugar é construída uma pequena povoação que em homenagem ao porto de partida deram-lhe o nome de Plymouth. Contrariamente a Jamestown que foi uma colônia conquistada, Plymouth é uma colônia de exploração e possivelmente seja esta a explicação de seu sucesso. Os colonos trabalham a terra de forma ininterrupta chegando ao ponto de descansar apenas quatro horas por dia em determinados momentos. O inverno naquele ano foi particularmente rigoroso! Ao Mayflower neste tempo restou apenas servir de depósito, hospital ou refúgio!
Em
05 de abril de 1621 o Mayflower retorna a Inglaterra. Daí por diante se
perde totalmente os seus rastros! Apenas o que se sabe mais sobre
ele, é que em 26 de maio de 1624 é vendido para ser demolido. Um triste
e melancólico final para um navio tão importante! Em
1947 a colônia de Plymouth importantíssima referência para a
história norte-americana é reconstituída. Finalmente em 1951 os
responsáveis pela nova "Plymouth Plantation" resolvem construir uma
réplica do Mayflower, que hoje se encontra a disposição do público
para visitação. Por haver muita documentação, a pequena vila foi
relativamente fácil de ser reconstituída. Quanto ao Mayflower II a coisa ficou
bem complicada. Como não há planta do original, se fez necessário um
profundo estudo de barcos similares da época, quadros e qualquer
documento que fizesse alguma alusão ao fato. Tanto é que de posse de um
pequeno jornal pilgrim da época, tomou-se conhecimento que o
Mayflower antes de ser demolido fora vendido antes por 128 libras 8
shillings e 4 pences. |