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NAVIOS DO SOS SÉCULOS XVII E XVIII |
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Em meados do século XVII, a tecnologia naval avançou a tal ponto que os
países marítimos europeus tiveram condições de construir navios muito
grandes, como o Sovereign of the Seas, lançado à água em 1637. A ambição dos
governantes da época era disporem das maiores unidades de guerra, e portanto
das mais potentes, dotadas de 100 canhões perfeitamente visíveis; mas, na
opinião dos marinheiros profissionais, esses gigantes de l .500 t tinham um
uso muito limitado e exigiam um gasto anual alto por parte da Marinha de
guerra: eles preferiam unidades menores e mais manobráveis, de menor calado
e eficazes para controlar as águas costeiras. Mas, quando se tratava de
lutar, estavam de acordo com os que defendiam os barcos maiores e desejavam
contar com um grande número de canhões.
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Até o século XVII, as tentativas para
classificar de modo padronizado os navios à vela tinham sido modestas,
pois cada Marinha adequava-os às exigências próprias. Na época clássica,
os navios eram construídos, segundo padrões, em estaleiros mediterrâneos
e mantinham-se as tradições quando, na realidade, seria mais correto
afirmar que a padronização se reteria mais às unidades impulsionadas a
remos do que aos veleiros. Em contrapartida, nos estaleiros navais do
Norte, na Escandinávia, Holanda e Grã-Bretanha, e nos da França e da
Espanha, projetava-se cada navio individualmente. No entanto, enquanto o
aspecto e natureza das unidades mudavam de um país para outro segundo as
suas próprias exigências, continuava a ser válido, acima de outras
considerações, o conceito de que os navios das mesmas dimensões deviam
estar em condições de se enfrentar, com possibilidades de combate
iguais. |
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Surgiu, por isso, a necessidade de estabelecer
uma série de categorias claramente diferenciadas para classificar os navios
de dimensões e utilização distintos. Em 1655 surge o termo "navio de
primeira classe" para designar os que, em meados do século, se chamavam
"grandes navios". Ao mesmo tempo, o sistema de subdivisão por classes também
foi aplicado a unidades menores. Desde então, e durante muitos anos, o
número de canhões que o navio podia levar serviu para estabelecer a classe a
que pertencia. Tratava-se de um método muito útil e simples para comparar
unidades semelhantes, uma vez que o peso dos canhões e dos seus projéteis
era o fator determinante nos combates navais.
Durante o mesmo período, e precisamente por
causa da batalha de Gabbard (2 e 3 de junho de 1653) entre as frotas
holandesa e inglesa, definiu-se a linha como uma eficaz formação tática. No
entanto, como com sua adoção se tornou evidente que alguns navios podiam
combater com eficácia dispostos nessa formação, enquanto outros não tinham
condições para fazê-lo, estabeleceu-se uma distinção entre os navios de
linha e os que não o eram.
As unidades de primeira classe só não eram as
maiores e mais bem armadas, sem que isso significasse necessariamente as
melhores do ponto de vista das suas qualidades náuticas, como também estavam
decoradas com mais suntuosidade.
Uma unidade com menos de 80 canhões dificilmente poderia obter essa
classificação.
De acordo com o critério, 1637 só a Grã-Bretanha
dispunha de um navio, o Sovereign of the Seas, que podia ser classificado
com propriedade como de primeira classe, e tiveram de passar 33 anos até que
o segundo fosse construído, o Prince. Durante todo o século XVII, a
Grã-Bretanha construiu apenas sete desses gigantes, com 100 canhões e um
deslocamento compreendido entre 1.400 e 1.700 toneladas. Todos tiveram uma
longa carreira (até 150 anos), com a única exceção do Royal James,
incendiado em combate em 1672 quando ainda não tinha cumprido um ano de vida
ativa.
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Os então rivais dos ingleses, os holandeses,
não se mostraram nada inclinados a seguir o exemplo de seus adversários
e construírem unidades de guerra de grandes dimensões, visto que o
escasso fundo nas suas águas não lhes permitiria o acesso aos portos.
Assim, os maiores navios da Marinha de guerra holandesa tinham dois
conveses em vez de três e estavam armados com um número de canhões muito
inferior ao das unidades britânicas. O navio-almirante holandês dos
tempos do Sovereign of the Seas, o Brederode, embora fosse mais comprido
(46 m na quilha), tinha menos 4 m de boca que o navio inglês, calava l
,5 m menos e carregava apenas 48 canhões. Contudo, podia enfrentar
perfeitamente um navio inglês de terceira classe, tipo Speaker. |
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Só em 1665 os holandeses lançaram à água o Die Zeven Provencien (ou
Zevenwolden), um navio de dois conveses com 80 canhões, calado reduzido,
48 m de comprimento total e 13,6 m de boca.
Rapidamente os holandeses aumentaram a boca das
suas unidades, pois perceberam que essa particularidade proporcionava aos
canhões uma plataforma mais estável e segura. Mas, no último decênio do
século, foram obrigados a construir navios de três conveses para embarcar um
maior número de peças. Entre 1683 e 1695, lançaram à água 15 unidades, cada
uma delas armada com 90 canhões, mas com superestruturas drasticamente
reduzidas, para poupar o máximo peso possível. No entanto, os holandeses não
tiveram muito sucesso com esses navios que marcaram os últimos anos da
Holanda como potência naval. Por fim, tiveram que se render às limitações
impostas pelas características da sua costa, que os impediam de usar
unidades maiores.
Os franceses tinham construído um navio de prestígio, o Couronne, lançado à
água em 1638 (era quase tão grande como o Sovereign of the Seas, mas armado
com 68 canhões). No entanto, só em 1668 lançaram à água uma verdadeira
unidade de primeira classe, o Royal Louis, um navio de 120 canhões que, com
um deslocamento de 2.000 t e um comprimento de 55 m, era evidentemente maior
que o Sovereign.
Em 1674, Colbert introduziu seu próprio método
de classificação, dividindo a frota em cinco classes, com uma espécie de
"superclasse" para navios verdadeiramente grandes. A essa superclasse
(Premier Rang Extraordinaire) pertencia o Royal Louis e mais alguns gigante;
de três conveses que Colbert resolveu construir, come o Soleil Royal, de 120
canhões, o Reine, de 104, e Royal Dauphin, de 100. No escalão imediatamente
inferior da classificação, a classe ordinária, incluíam-se também os de
três conveses de 80 canhões para cima pertenciam à segunda classe
francesa (Deuxième Rang) sempre segundo o esquema de Colbert, os navios
de dois conveses de 60 a 80 canhões, que correspondiam aproximadamente à
terceira classe britânica. As unidades de terceira classe de Colbert
tinham 50 a 60 canhões.
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Inicialmente, tanto a segunda como a
terceira classes dividiam-se em duas subclasses (primeira e segunda), o
que revelou ser inútil e impraticável As duas últimas classes eram a
quarta e a quinta e, na Marinha de guerra francesa, esses navios eram
considerados muito pequenos para se classificarem com propriedade na
linha. Os ingleses não compartilhavam do mesmo parecer, e o seu sistema
admitia originalmente que as unidades da quarta classe e, mesmo, da
quinta tivessem lugar e agüentassem o esforço da batalha. |
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Contudo, com o aumento das dimensões dos navios
e com a incorporação de uma nova manobra tática, que consistia em cortar a
linha do inimigo, os ingleses relegaram as duas últimas categorias para
missões de apoio.a de classificação em classes mostrava-se muito útil como
indicador de máximos e, até o início do século XIX, houve poucas alterações
quanto aos navios maiores. Pelo contrário, durante os séculos XVII e XVIII,
nas classes inferiores, como, por exemplo, na terceira, ocorreram alterações
substanciais em relação à tecnologia naval.Na primeira metade da década de
1670-1680, a Grã-Bretanha estava aliada à França, e uma visita que o rei
inglês fez ao navio francês Superbe, de 1.300 t e 74 canhões, sugeriu-lhe
uma melhoria da terceira classe da Marinha britânica. Os estaleiros ingleses
já construíam navios de 800 a 900 t, 10a 15 % superiores aos da década
anterior, mas o aumento de peso devia-se sobretudo à maior boca dos cascos.
Em 1675, um navio inglês de terceira classe tinha um deslocamento próximo
das 1.000 t estava armado com 70 canhões.
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Ao servir de plataforma para os canhões, a
maior estabilidade proporcionada pelo aumento da boca melhorava
considerável mente as potencialidades das unidades, e a conseqüente
solidez da sua estrutura de madeira tornava-as eficazes para servirem na
linha. Também se reduziu o calado e aumentou a altura acima da linha de
flutuação da coberta da bateria inferior; um fator de vital importância
para usar a artilharia em condições de mar agitado. |
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Posteriormente, pretendeu-se aumentar o
comprimento dos navios de dois conveses para permitir a instalação de 40
canhões por convés, mas o resultado foi um casco fraco e de pouca
estabilidade, com uma grande tendência para o quebranto (descida da proa e
da popa em relação ao centro), fenômeno que se acentuava com a presença de
canhões dispostos na proa e na popa. Os 12 navios dessa classe construídos pêlos
ingleses foram rapidamente convertidos em unidades de três conveses e,
embora nenhum deles representasse uma melhoria significativa, mantiveram-se
em serviço até meados do século seguinte. As novas unidades de menor
deslocamento construídas para a terceira e quarta classes (as de dois
conveses de 60 e 50 canhões, respectivamente) não tiveram melhores
resultados. As maiores mostraram-se bastante frágeis para estarem na linha,
mas pelo menos eram eficazes para servirem como barcos corsários
independentes; as menores foram pouco úteis em qualquer das utilizações por
causa da sua excessiva rapidez e do insuficiente espaço disponível para
transportar a quantidade adequada de mantimentos para permanecer algum tempo
no mar.
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Durante o século XVII, a classificação dos
navios de guerra menores não apresentou grandes problemas; a partir do
momento em que não deviam combater em formação, e estando especialmente
adaptados a missões de escolta ou de patrulha, tornavam-se especialmente
indicados para missões em águas costeiras. Por esse motivo, apareceram
aparelhos e cascos de uso local adaptados ao serviço naval com
modificações mínimas: depois de militarizadas, as embarcações usadas
pêlos contrabandistas podiam servir muito bem para lhes dar caça. Em
missões mais estritamente militares, todas as Marinhas européias usavam
unidades até 12 pequenos canhões por costado para patrulha das costas e,
dentro das respectivas frotas, para o serviço de comunicações, envio de
mensagens e transporte de pessoal. No que diz respeito às unidades ainda
menores, a sua classificação como navios de guerra propriamente ditos,
ou seja, como corvetas ou lanchas, dependia da sua função e da graduação
do comandante.r. |
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Nos finais do século XVII, a classificação
dos navios utilizada pelas Marinhas de guerra européias, que já era
considerada antiquada no início do século, começou a se revelar inadequada:
sem variar durante décadas, a sua rigidez estava destruindo realmente aquilo
que no início a alimentara e, ao mesmo tempo, anulava o espírito criativo no
domínio da arquitetura naval. Era hora de muda
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