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Batalha de Salamina |
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Depois
de derrotar as forças armadas de Dario I na Batalha de Maratona (490 a.C.) os
atenienses e seus aliados acreditaram que tinham eliminado definitivamente a
ameaça persa e não levaram em consideração a determinação de Xerxes, filho
de Dano. Essa omissão lhes custaria novos combates, dez anos depois. De fato, em
480 a.C. o
exército de Xerxes deixou a Ásia Menor, cruzou o Helosponto (atual estreito de
Dardanelos) utilizando barcas como ponte e avançou sobre a Trácia e a Macedônia.
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O
objetivo desse contingente de mais de 180.000 soldados era Atenas nesse
esforço contava com o apoio de uma frota de aproximadamente mil barcos.
A
atitude de Xerxes não surpreendeu o estrategista ateniense Temístocles, que
estava absolutamente convencido de que os persas só poderiam ser derrotados no
mar.
A
lenda afirma que a sua determinação em reforçar a esquadra nasceu de uma
profecia do oráculo de Delfos, que, ao mesmo tempo que o alertava contra o
perigo iminente, mencionava um “muro de madeira” como única esperança de
salvação para os atenienses. Temístocles não tinha dúvidas de que a
profecia fazia referência a uma frota. Assim, alegando como pretexto o
recrudescimento de conflitos com a ilha de Egina (pró-persa)
mas pensando em prosseguir a guerra contra a Pérsia, pediu e conseguiu que os
lucros obtidos na mina de prata de Laurion fossem utilizados na construção de
barcos.
Quando
os persas finalmente chegaram, já eram esperados por 200 trirremes: este era o
núcleo da pequena frota montada pela inconsistente federação das cidades
gregas para fazer frente à poderosa marinha inimiga. Enquanto os soldados de
Xerxes se aproximavam cada vez mais, os gregos organizavam reuniões para
decidir a estratégia de defesa. Inicialmente não chegaram a um acordo sobre a
posição de uma linha de resistência eficaz para enfrentar as forças que
vinham do Sul. As cidades do Norte queriam que a linha passasse em frente aos
seus territórios; em contrapartida, os espartanos defendiam a idéia de que
seria melhor deixar os persas avançarem até o istmo de Corinto
mas se isso ocorresse, Atenas ficaria desprotegida. Finalmente, decidiram que o
melhor lugar para deter os inimigos seria a passagem das Termópilas, um
desfiladeiro natural que se encontrava no caminho do avanço persa.
Enquanto os soldados de Xerxes atravessavam a Tessália, aproximando-se da
passagem, sua frota seguia ao largo da costa. O plano estratégico dos gregos
consistia em bloquear as Termópilas, detendo o avanço por terra, para
obrigar a frota persa a vir em socorro do seu exército. Quando isso
acontecesse, os navios gregos
posicionados no estreito canal que separava Eubéia do continente e onde a
superioridade numérica não constituía vantagem decisiva — poderiam atacar e
infligir graves danos aos persas.
Sob o comando de Temistocles e do espartano Euribíades, os gregos
seguiram pelo canal de Eubéia, atravessaram o estreito de Euripo e atingiram
a posição determinada. Ao tomar conhecimento desse movimento, os persas
destacaram 200 dos seus barcos, ordenando que dobrassem a ponta meridional
de Eubéia e bloqueassem Euripo pelo lado sul, impedindo que os gregos
voltassem para sua base. Em seguida segundo os planos,
o grosso da frota persa deveria atacar no canal de Eubéia, obrigando os
barcos de Temistocles a irem de encontro aos esporões de sua esquadra.
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No entanto, o plano falhou. No final de agosto, a frota persa passou pelo
estreito braço de mar localizado entre a ilha de Esciato e o continente,
parando para passar a noite. Não havia espaço suficiente para tantos
barcos, por isso eles fundearam formando oito filas. Para piorar a situação,
unidades como aquelas normalmente não passavam a noite no mar, mesmo que o
fundeadouro fosse seguro: dispunham de pouco espaço para a tripulação e
para. os soldados e eram muito vulneráveis
o mau tempo poderia infligir-lhes graves danos, mesmo em águas pouco
agitadas. |
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E foi o que aconteceu: um forte vento vindo do mar destruiu 400 barcos
persas e causou a morte de um número indeterminado de homens. E possível que
aquele temporal também tenha destruído o destacamento de 200 barcos que se
dirigia para o Sul.
Quando a tempestade acalmou, no final da tarde, a frota grega que não
fora afetada aproveitou a oportunidade para atacar. Inicialmente ficou em
vantagem e chegou a capturar cerca de 30 embarcações inimigas, mas
rapidamente foi cercada pelos persas. Os combates foram interrompidos quando
escureceu, mas se repetiram nos dois dias seguintes sem alcançar nenhum
resultado decisivo. Entretanto, o Exército persa conseguiu derrotar as
heróicas tropas de Leônidas nas Termópilas e avançou para o Sul, chegando a
Atenas.
Os atenienses, por ordem de Temístocles, retiraram-se para a ilha de
Salamina, onde estava localizada a base da frota grega. E muito provável que
Temístocles
já tivesse decidido lançar a batalha a
partir da ilha e ninguém conseguiria mudar a sua opinião. Euribíades queria
que o confronto se desenrolasse no golfo de Corinto, mas Temistocles sabia
que não havia meios de deter os persas, exceto se os gregos pudessem
escolher o local de combate. O estreito braço de mar entre a ilha de
Salamina e o continente parecia perfeito e, uma vez mais, o espaço limitado
contribuiria para tornar inútil a superioridade numérica da frota persa. Por
fim, Temístocles utilizou um subterfúgio para enganar as lideranças
inimigas: enviou ao campo persa um fiel escravo chamado Sicino, que espalhou
o boato de que a frota grega naquele momento reunida na baía de Elêusis
estava se dispersando sem ter
sido vencida. Temistocles acreditava que Xerxes não renunciaria à tentativa
de obrigar a frota inimiga a entrar em combate, antes de sair de cena. Essa
arriscada manobra foi bem sucedida e o rei persa caiu na armadilha
montada pelos gregos.
De fato, na noite de 22 de setembro de 480 a.C., a frota persa — que estava
aguardando na baía de Falero levantou âncoras e iniciou o curto percurso ate
Salamina. Apesar das perdas sofridas, a frota ainda contava com cerca de 800
unidades para enfrentar os 370 barcos gregos. À medida que se aproximava de
Salamina, Xerxes ordenou à terceira esquadra, formada por 200 barcos
egípcios, que se colocasse a sudoeste da ilha, com o objetivo de cortar a
retirada dos gregos ao largo da costa ocidental. O grosso da armada com mais de
600 barcos seria utilizado para bloquear a costa oriental. Ao mesmo tempo, as
tropas persas ocuparam também a ilha de Psitaléia, localizada entre Salamina e
o continente.
Tudo
indica que nessa altura os gregos ainda estavam discutindo sobre a melhor
maneira de resolver a situação, mas, quando se inteiraram dos pormenores do
movimento persa, perceberam que já havia passado o momento das discussões.
Atacados na baia de Elêusis, os gregos não tinham outra alternativa a não ser
combater, apesar de sua inferioridade numérica.
O
AVANÇO DOS PERSAS
Ao
amanhecer, o principal segmento da frota persa composto de 600 embarcações
formou três colunas, aprontando-se para o combate. Ao se aproximar do estreito
de Salamina, navegava em posição oblíqua, de tal forma que havia cerca de 400
metros de distância entre os primeiros barcos das colunas da frente e do meio;
um espaço ainda maior separava a última fila das outras duas. Quando a
embarcação que estava à frente da primeira coluna passou em frente à ilha de
Psitaléia, o comandante da frota que
era um fenício ordenou que os dez primeiros barcos de cada fila se agrupassem
à esquerda, formando uma linha de frente. Esta manobra foi repetida até que
toda a frota se deslocasse para bombordo, formando 30 colunas de 20 barcos cada
uma. Com o sol por trás, a pesada armada persa continuava a avançar e,
enquanto cada comandante procurava controlar o seu barco, mantendo-o na posição
correta.
Por
outro lado, os gregos já
estavam a
postos no estreito
entre Salamina e o continente e obedeciam à risca a recomendação de Temístocles,
que conhecia muito bem a área: atrasar o movimento dos barcos e aguardar os
ventos, que sempre sopravam em algum momento do dia, para atacar o inimigo. De
fato, quando o vento começou a soprar, avançaram rapidamente, com os
atenienses à esquerda, um grupo aliado no centro e os espartanos à direita.
Quando as duas frotas se aproximaram uma da outra, o flanco de estibordo de cada
uma estava protegido pelas tropas terrestres: os persas contavam com soldados
baseados no continente, enquanto os gregos eram apoiados por forças localizadas
na ilha de Salamina. A frota persa composta
por barcos fenícios e jônicos já estava
dentro do canal, mas encontrava dificuldade para manobrar no meio das grandes
ondas provocadas pelo vento. Os gregos, ao contrário, tinham mais facilidade
graças ao fato de suas embarcações terem pouco franco-bordo. Assim, as
unidades persas localizadas na linha de frente foram encurraladas entre o
estreito e os gregos, que as cercaram e atacaram com os esporões,
sucessivamente, danificando os barcos persas.
A
VITÓRIA DOS GREGOS
Vários
fatores contribuíram para transformar essa ação num verdadeiro desastre para
os persas. Entre eles, a dificuldade de manobra num espaço tão estreito
que acabou
com a sua vantagem numérica e a deserção
de alguns aliados. Este foi o caso da rainha Artemísia de Halicarnasso, que, ao
ser perseguida por uma unidade grega, esporou e afundou uma embarcação aliada,
fugindo em seguida.
Depois do ataque com os esporões, os gregos passaram à luta corpo a
corpo e ao uso dos seus arcos e artes marciais —
em que eram exímios —, enquanto os
seus hoplitas (infantaria pesada) provocaram estragos entre os soldados e as
tripulações persas, que, apesar de lutarem até o limite das suas forças,
eram constantemente rechaçados.
Grande parte do êxito desta ação deve ser atribuído a Címon, um
comandante subordinado a Temístocles. Posicionado na costa setentrional, Xerxes
assistiu impotente à destruição da sua frota e à morte em combate do seu
irmão Aquémenes, comandante supremo das forças navais persas.
O combate prolongou-se até o amanhecer e resultou na perda de 200
embarcações persas e 40 gregas. Finalmente, as forças de Xerxes não tiveram
outra saída a não ser recuar.
Após reconquistarem a ilha de Psitaléia, os barcos de Temístocles
perseguiram os inimigos até a ilha de Andros, mas acabaram permitindo que a
frota persa fugisse.
No ano seguinte (479 a.C.), os gregos eliminaram definitivamente a ameaça
naval persa, sem que fosse preciso um combate de grandes proporções: ao serem
atacados pela frota grega próximo de Micala, na Ásia Menor, os persas
retiraram-se desmoralizados e encalharam os seus barcos. Os gregos
desembarcaram rapidamente e incendiaram as embarcações inimigas. De qualquer
maneira, a derrota naval de Salamina já tinha acabado com o sonho de Xerxes de
ampliar o seu império no Mediterrâneo: depois daquele desastre, o Exército de
Xerxes que dependia da frota para o seu abastecimento viu-se
obrigado a voltar para sua pátria.
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Audácia
Restou apenas um
contingente, que terminaria derrotado em Platéias.
Salamina constituiu um marco importante da
história grega, não só
pela brilhante demonstração estratégica mas também porque reforçou a
supremacia da Grécia no Mediterrâneo.
de mulher em Salamina: Nessa pintura do século XIX , que descreve a
batalha de Salamina, uma mulher persa, Artemísia, que era almirante, é
vista quando escapa do desastre, enterrando um aríete em outra galera
persa. Julgando trata-se de um aliado os gregos se afastaram e ela pode
escapar com suas embarcações. |
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