|
|
VASA - ORGULHO SUECO DO
SÉCULO XVII |
 |
Em
16 de janeiro de 1625, o rei Gustavo II Adolfo, cujo lema era “Depois de Deus,
o bem do nosso reino depende da sua frota”, assinou pessoalmente o contrato
para a construção do navio real Vasa, confiado ao mestre calafate holandês
Henrik Hybertsson.
|
O galeão devia transportar 64 canhões em duas cobertas (48 de 24 libras, 8
de 3 libras, 2 de 1 libra e 6 morteiros de 3 libras na coberta superior),
tinha um comprimento total de fora a fora (com o gurupés) de 69 m e
uma boca muito reduzida de 11,7 m. Quando num exame dos planos se viu que o
mastro grande teria 52 m desde a carlinga ao topo e que o castelo de popa devia
elevar-se, pelo menos, a 15 m acima da linha de flutuação, começou-se a
duvidar da estabilidade do navio.A
construção iniciou-se em Skeppsgarden, nos estaleiros de Estocolmo, na primavera
de 162 Hybertsson morreu pouco antes do lançamento água, e foi substituído
por Hein Jakobsson, que dirigiu os últimos trabalhos de construção esqueleto. O
Vasa foi terminado nos primeiros mêses de 1628, e durante o armamento o
comandante, Joran Matsson, decidiu comprovar a estabilidade fazendo correr
simultaneamente 30 homens de um lado para outro da coberta, enquanto o
navio estava fundeado ao fim de três corridas foram mandados parar, pois
navio ameaçava virar. |
 |
“Se ao menos, comentou almirante Klas
Fleming, Sua Majestade estivesse aqui!” Mas Gustavo II Adolfo
encontrava-se na Prússia, e ninguém estava autorizado a impedir saída para o mar
do novo navio-almirante.
No
momento
em que virou e afundou, o Vasa
aparelhava um velacho quadrado, um velacho trapezoidal, uma gávea trapezoidal e
uma mezena. Não aparelhava os joanetes nem a contra mezena, pelo que não se
pode considerar que levasse demasiada superfície vélica,
o que veio confirmar um erro grave no desenho das dimensões do barco e uma
distribuição errada dos pesos da carga.
|
No
século XVII não existiam métodos científicos para calcular a estabilidade de
um barco.
Não
era extraordinário que os barcos de guerra se voltassem pela ação do vento e
da ondulação, dado que as linhas de canhões estavam
colocadas numa zona relativamente alta do casco e elevando assim o seu
centro da gravidade, o que aumentava a sua instabilidadeOs barcos destinados ao comércio
armazenavam a carga no fundo do porão, conseguindo desta forma o efeito
contrario. Os construtores navais trabalharam com indicações de Hybertszoon, que
se tinha baseado em planos de barcos menores e apenas com uma coberta de
canhões. Analisados os fatos, parece evidente, à luz dos conhecimentos
atuais, que o Vasa era demasiado estreito para as suas dimensões e peso. A morte de Hybertszoon
um ano antes do afundamento foi mais um elemento que lançou a incerteza na
explicação das causas que levaram o barco a virar. |
 |
| |
Peça
de artilharia do Vasa |
No fundo
do
Vasa
colocaram-se várias toneladas de pedras como contrapeso, que se mostrou
insuficiente para equilibrar
os altos mastros e os pesados canhões que embarcaram na nave.
O
navio foi submetido a uma prova de estabilidade bastante comum na época e que
consistia em fazer
correr simultaneamente trinta homens de um lado ao outro da coberta para
provocar um balanceamento
crescente.
|
A
prova era ultrapassada quando o balanço máximo provocado pelos trinta
homens não conseguia voltar o barco. Este sistema,
completamente
empÍrico, era muito
ineficaz. O
mais
incompreensível do caso é que o Vasa não ultrapassou a prova e teve de ser
suspensa perante a iminência de virar.
O almirante Klas Fleming presenciou a falha, mas permitiu que o navio
partisse para a sua primeira viagem pressionado, sem dúvida, pelos
requerimentos do rei, que esperava ansiosamente por notícias do barco na
Prússia. Ao rei Gustavo Adolfo corresponde também certa responsabilidade
no afundamento, dado que foi quem mais pressionou para que o barco levasse
o maior número possível de canhões e defendeu as suas dimensões máximas. |
 |
|
|
Reprodução do Vasa em um modelo. |
No entanto, a história e a
sorte quiseram que se deva também a este monarca o extraordinário legado que o
Vasa constitui atualmente.
O
capitão Sõfring Hansson foi oficialmente culpado no julgamento que se
realizou depois do naufrágio. Foi acusado de ter deixado abertas as portinholas
dos canhões por onde entrou a água que provocou o afundamento do barco.
No
entanto, foi argumentado em sua defesa que na situação de batalha era normal
levar essas portinholas abertas, e no julgamento demonstrou-se que o «
Vasa»
acabava de disparar várias salvas de experiência. Sõfring foi finalmente
absolvido.

As investigações efetuadas depois do resgate do Vasa mostraram que o barco
afundou fundamentalmente devido ao desconhecimento teórico geral que se tinha na
época. O Vasa foi uma experiência militar que serviu para que os construtores
navais tivessem em conta o desastre. Imediatamente depois do
Vasa,
construíram-se muitos barcos de dois, três e até de quatro cobertas de canhões,
que se mostraram perfeitamente estáveis em todas as condições de vento e de
mar.
|