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CORES E ÉPOCAS |
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Quando edito uma matéria, não o faço apenas
baseado em minha experiência pessoal!
Sempre procuro ver como outros modelistas mais experientes também fazem
um determinado trabalho!
Um erro fatal que pode deixar a qualidade de
um modelo muito a desejar é a escolha de suas cores.
Modelistas de renome como Milton Roth ou V. R. Grimwood ambos com vários
livros editados sobre o assunto, nos dão uma série de indicativos no
sentido de se conseguir fazer um modelo com uma qualidade de museu! Ou
seja! Modelos
rigorosamente fieis tanto na escala como nas cores em que foram pintados!
Essa exatidão é que faz um modelo ser chamado modelo com uma qualidade
de museu!
Nada contra os modelistas que enfeitam seus modelos com canhões
dourados, ou banhados com a tonalidade de ouro velho ou mesmo latão
polido! Aliás, os fabricantes de kits em geral fazem muito isso visando
realçar a beleza plástica em detrimento da verdade histórica!
Quem conhece os trabalhos de Gerard Delacroix e Gerard Pioufre sabe
muito bem do que se fala!
Mas vejam!
Eles, os fabricantes de kits, não têm nenhum compromisso com a verdade histórica! O negócio deles é vender!
Portanto! Enfeitar para eles é a palavra de ordem! Os menos avisados
seguem como cordeirinhos essa prática!
Os brasileiros têm um problema!
Não gostam de ler! Preferem seguir a linguagem visual! Nesse caso, se a
imagem é agradável, sacodem para o alto a verdade histórica!
Outro fato também a ser mencionando são as famosas correntes na ré ou
das âncoras!
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Em uma embarcação que em se pretende ter uma qualidade de museu, jamais se
deverá aplicar correntes douradas! Sempre escuras!
Um pecado!
Três equívocos em um modelo que teria tudo para ser soberbo!
As cores estão muito equilibradas!
Mas, infelizmente, quem montou optou em fazer as columbrinas
douradas juntamente com as correntes presas ao leme e também as
dobradiças!
Seriam pretas pelo menos!
Mas o modelista aqui optou em estilizar!
Nada contra! Mas é um pecado! |
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Também há de se atentar para o tipo de elo! Nunca do tipo retorcido!
Sempre argolas redondas ou quadriláteras!
Volto a afirmar que nada tenho contra quem segue esse comportamento!!
Apenas aviso que está fazendo um modelo que não pode ser considerado
exatamente uma réplica! Mas, se é do gosto da pessoa, porque não?
Afinal vivemos em uma democracia! Não é verdade?
Eu particularmente, prefiro seguir a linha ortodoxa desse escritores e
espero que também entendam isso!
Sempre fiz ressalvas a modelos reproduzidos
por kits de grandes empresas!
Como dito antes, eles tem sua visão focada nas vendas! Para
tanto "embelezam" seus modelos para despertar o desejo dos potenciais
compradores!
Lembram do modelo do navio viking de Oseberg? Nesse caso mudaram até o
adereço da proa!
No lugar de uma serpente em espiral colocaram a cabeça de um dragão!
Já se viu vi kit reproduzindo um barco dos anos de 1700 pintado no padrão xadrez (preto e branco)
quando se sabe que esse tipo de pintura veio aparecer por volta de 1840.
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Noto que muitos kits industrializados e como exemplo
posso citar o São João Batista da Altaya, tem os canhões na cor de latão polido (dourado)!
A explicação para esse "erro", é que os canhões naquela época eram de
ferro ou bronze!
Por uma questão de custo, a maioria dos navios eram equipados com
canhões de ferro!
Logo, jamais poderiam ter a cor de dourado ou ouro velho! Embora sejam
bonitos, desmerecem o modelo historicamente! Por outro lado, os canhões
de bronze, jamais poderiam ficar nas cores douradas! Ou pretos ou
esverdeados muito escuro dando a impressão de preto devido a
oxidação! |
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Podemos deduzir com total exatidão que canhões
dourados não cabem em um modelo de museu!
Mas todos são livres para fazer o que bem entender!
Se você quer reproduzir fielmente um modelo, todo cuidado é pouco com
kits industrializados ou cópias deles ok?
Milton Roth em seu livro, relata que os navios do período de 1500 a 1610
alguns tinham em seus costados imagens geométricas! Isso pode ser
comprovado nos navios Mary Rose
Explorar a Mary Rose ou o Grand Harry! Nesses casos, a decoração tinha como fundamento a heráldica onde as
cores das Casas Reais eram predominantes! As cores Reais verde e branco
a época eram muito difundidas!
Na verdade, não existia nenhum padrão! A grande maioria dos navios eram
envernizados! Em que pese as várias camadas de verniz associadas a
substâncias que visavam a proteção da madeira, essa era percebida apesar
de estar bem mais escura! Esse é um dado muito importante!
Se consultarem quadros de época desse período, poderão notar que os navios
reproduzidos são quase negros! Um exemplo é o quadro que retrata a
Batalha de Pernambuco entre navios luso-espanhóis e holandeses durante a
invasão holandesa no Nordeste.
Outro fato interessante, é que os navios ingleses desse período tinham a
sua parte interna como cor predominante o vermelho! Isso já foi
explicado aqui em várias outras matérias! Visava mascarar o derramamento de
sangue em uma batalha! A cor era aplicada no empavesado e na maioria das
obras vivas chegando mesmo às carretas dos canhões!
Tudo leva a crer que esse tipo de pintura se reproduzisse também nos navios
espanhóis, franceses holandeses e nas demais nações! Era senso comum dessa época!
Esse tipo de comportamento prevaleceu até os anos de 1800!
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Na imagem pode-se
notar a o vermelho na parte interna da nave holandesa. |
Mas! Por volta de 1610, iniciou-se uma
mudança de comportamento a partir da construção do navio Prince Royal!
Depois dele estabeleceu-se durante muito tempo o padrão de decorar
navios com esculturas, sendo muitas dessas esculturas douradas!
Esse tipo de decoração, embora muito cara, iria permanecer pelo próximos
200 anos!
A coisa chegou a tal ponto, que a decoração era mais cara que a
própria embarcação!
Na verdade, era uma forma dos reis mostrarem o seu poder e riqueza!
Tudo isso podemos notar nos navios: o Wasa , sueco,
Soleil Royal francês e o Sovereing of the seas inglês.
Para não alongarmos muito o tema, vamos fazer uma comparação de um
desses navio!
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Nessa ótima reprodução
do Soleil Royal pode-se ver que o construtor segue a risca a
regra corretamente! Nada de canhões dourados e coisas do tipo! Um
modelo equilibrado e sóbrio!
Caso deseje visitar o site o endereço é:
http://perso.orange.fr/cap.info/soleil_royal2.htm
Logo abaixo temos um exemplo bastante evidente
do que não se deve fazer! O modelo do Soleil Royal aqui apresentado
é bonito, sem sombra de dúvida! |
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Mas pode-se notar que foge totalmente às regras que possibilitam
fazer um modelo historicamente correto!
É dourado para todo lado! O azul está presente
apenas na parte de ré conforme quadro da época
Para esse período é factível que fosse da
maneira como está exposto o modelo na imagem acima. Linhas pretas ao
longo das galeras!
Mas vejam! O modelo ao lado é feito em série e destina-se a venda!
Por sinal bem barato! |
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Deve-se ter sempre em mente o ano em que o modelo foi feito! Apesar da
regra acima descrita, existem variantes de acordo com o ano. Por volta
de 1610 com a construção do Royal Prince a decoração sofreu uma
alteração. Começava-se a adotar esculturas na decoração tornando-se muito
difundida essa prática pelos próximos 200 anos tendo como o máximo
Soberano dos Mares.
Por volta de 1703 a 1712 as esculturas foram abolidas na Inglaterra até
a restauração quando a Casa Real voltou a definir que decoração das
embarcações.
Os franceses adotaram a decoração em fundo azul e ornamento branco. Os
navios espanhóis que faziam a linha do Caribe adotavam nesse período as
cores vermelha e preta até os anos de 1700.
Bem!
Para finalizar aqui vão algumas dicas!
Ao fazer um modelo antigo, utilize sempre verniz fosco ou semi-fosco
caso opte fazê-lo na cor da madeira.
Se por ventura utilizou um verniz brilhante, você poderá cortar o brilho
passando suavemente uma lixa d'água de grana 600 (umedecida).
Outra dica! Caso o modelo tenha as portinholas dos canhões levantadas,
essas deverão seguir a cor interna da embarcação!
Estas são apenas algumas dicas!
Mas lembrem-se!
Sempre que forem montar qualquer modelo, pesquise antes!
Eduardo Dias Nunes
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