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Mastros dos galeões

Olá!

Eu
poderia simplesmente passar as medidas dos mastro do modelo no galeão N S de Atocha informando: diâmetros, comprimentos  e pronto!
Mas aqui vai uma dica que poderá ser usada em muitos outros galeões que por ventura venham a montar doravante!
Segundo texto sobre os galeões, onde é descrito como se chegavam às dimensões dos mastros, temos como ponto de partida a relação da boca da embarcação (parte mais larga) e o mastro real ou mastro grande se assim o preferir.

 Do mastro real é que poderemos determinar os demais mastros! Todos terão o  seu comprimento e diâmetro relacionados a ele. O comprimento do mastro real de um galeão do final do século XVI até meados do século XVII era 2,4 até 2,7 vezes a largura da boca da embarcação!  Isso se aplica ao N. S. de Atocha que foi uma embarcação desse período. O prudente é utilizar a média!

 

Como o comprimento do mastro real será a multiplicação da boca por essa média e, no caso presente, o modelo N. S. de Atocha tem sua boca determinada pela antepara mestra que tem a largura de 120 mm, o valor de seu comprimento será o encontrado no cálculo ao lado.

 

Ainda segundo o texto, o diâmetro do mastro real seria 1/36 de seu comprimento.
Fazendo a divisão de 1 por 36 teremos 0,027777 ...
Como eu sabemos que o comprimento é de 306 mm no modelo, o seu diâmetro será determinado multiplicando o comprimento pelo percentual encontrado.
O diâmetro do mastro real de nosso N S de Atocha será 8,5 mm (em número redondo).

Os demais mastros terão os seus valores relacionados aos do mastro real.
Vejamos então!

O mastro do traquete também conhecido como mastro de vante era um pouco mais de 9 décimos do mastro real. O diâmetro 15/16. Isso é equivalente a 0,94.
Logo podemos afirmar que o mastro traquete tinha o comprimento e o diâmetro em torno de 94% do mastro real. Aplicando isso em nosso modelo podemos dizer que o mastro traquete tem os valores do cálculo ao lado.

 

O mastro da mezena era por sua vez 7 a 7,5 décimos do mastro real. Vamos utilizar novamente o bom senso aplicando um valor médio. Ou seja! O somatório dos dois valores dividido por 2 o que nos dará 0,725

 

 

Inclinação

A inclinação dos mastros está mais relacionada a uma opinião do construtor do navio ou de quem mandou construir do que a uma norma técnica!
O que se pôde levantar observando quadros e imagens da época, é que o mastro real normalmente ficava na região da meia-nau. Por outro lado os mastros reais eram inclinados sendo seguidos nessa inclinação pelo mastro da menzena que as vezes eram até mesmo um pouco mais inclinado. O mastro do traquete era colocado reto.

Eduardo Dias Nunes