|
Navios e embarcações a vela árabes |
 |
Mais ainda que os egípcios, os árabes temiam e odiavam, inicialmente, o mar. Não
tinha o profeta Maomé ensinado a seus seguidores que “é, na verdade, infiel quem
embarca duas vezes e viaja por mar?
Mas os árabes, e os sarracenos em particular, eram um povo viril e ousado.
Depois dos primeiros encontros, ou desencontros, com os marinheiros gregos e
fenícios, compreenderam rapidamente a importância do tráfego marítimo e do poder
naval.
Aprenderam logo a projetar e a construir navios e tornaram-se singularmente
habilidosos em fazer cálculos para a navegação e ferozes na guerra. Uma grande
frota sarracena conquistou em 649, a ilha de Chipre e derrotou, alguns anos
depois, a esquadra grega ao largo das costas da Lícia.
Hoje os árabes possuem toda uma série de veleiros característicos aos quais os
europeus (mas não os próprios árabes) dão o nome genérico de “dhows”.
|
Entre os barcos a vela árabes, aquele que mais impressiona é a baghla. De
belas formas e fácil manejo é um latino de dois mastros que compreende
inovações oriundas dos dois hemisférios. A popa, muito alta, esculpida e
ornada de maneira artística, recorda a caravela do séc. XV , e o maciço
timão passa por um orifício como nos primeiros navios da Companhia das
Índias. Lembra a caravela também o casco, com o madeiramento justaposto e
liso, com as tábuas unidas pelas bordas em vez de sobrepostas. |
 |
|
Um pouco sinistro e fugidio, o zaruk é uma embarcação veloz, de pequeno
calado equipada à latina, com um só mastro, utilizada no tráfego costeiro
do golfo de Aden, do golfo Pérsico e do mar Vermelho. De forma singular
não revela nenhuma influência européia. A proa projeta-se para a frente em
ângulo agudo e o leme estreito que desce abaixo da quilha é governado por
meio de um sistema incomum de polés e cadernais. Veloz, bom de manejar, de
pequeno calado e portanto em condições de escapar à captura deslizando
sobre os baixios e bancos de areia, o zaruk gozou, até uma época
relativamente recente, da preferência dos mercadores de escravos e de
armas, e dos contrabandistas, especialmente de marfim. Utilizado pelos
pescadores de pérolas, o zaruk era as vezes chamado garukuh.
|
 |
|
Como a baghla, o batei do mar Vermelho, elegante, com casco liso, provido
de dois mastros à latina, revela claros influxos europeus, de origem
antiga, na inclinação dos mastros à proa e na alta ponte da popa, ornada
com losangos, estrias e arcos, pintados com cores vivas, como nos galeões
da época elisabetana. |
 |
|
As
águas de Aden são sulcadas pelo badan, equipado à latina com um só
mastro. Como o zaruk, é freqüentemente utilizado para fins torpes de
todo gênero, graças à sua velocidade, facilidade de manobra e pouca
imersão. Assemelha-se ao zaruk também quanto ao timão e seu sistema de
governo; em contraposição, a proa é quase reta, sem aquela inclinação
aguda. Diversamente da baghla (maior e com popa quadrada), o zaruk e o
badan têm popa estreita, característica que os torna particularmente
aptos a navegar com mar agitado e na ressaca.
O
badan,
embarcação costeira que se pode encontrar na região de Aden, é
apreciado pelos contrabandistas pela sua velocidade e facilidade de
manobra.
|
 |
|