EMBARCAÇÕES NÓRDICAS

Os noruegueses, que armavam até três mil navios de cada vez. possuíam também os competentes barcos auxiliares: os visiabry-ding. de grande porte, transportavam viveres, gado, armas e munições, como também ferreiros e forjas para efetuar reparações em pleno mar, e o hepiskusa (navio veloz) carregava os despachos. O kaup skip (navio cargueiro) era mais largo do que a "nave longa", Imergia mais, não tinha escudos nas amuradas nem a "cintura de guerra" (um grosso cabo usado para reforçar o casco das naves de guerra) e não tinha bandeiras nem dragões. A saga de Egil descreve um deles: "Thorof tinha uma nave de grande altura, bem construída e toda pintada sobre a linha de flutuação. A vela era listrada de vermelho e azul. O equipamento perfeito. Ele armou esta nave, com os seus servos como tripulantes, e carregou-a de peixe salgado, peles, sebo, pelicas, coisas estas todas de grande valor. Saindo para o sul, tomaram o mar navegando para o poente para comprar tecidos de Ia e outros gêneros necessários. Na Inglaterra encontraram um bom mercado, carregaram trigo, mel, vinhos e tecidos, e retornaram no outono com ventos favoráveis" Estes " homens do norte", ou "normandos", negociavam com Iodos os portos da Europa ocidental, no Adriático, no Mediterrâneo e até mesmo com os portos do Tigre e do Eufrates. Velejaram até o Mar Negro e chegaram, com caravanas, até o coração da Rússia.

Já na Idade Média, porém, as estupendas "naves longas" perderam suas extraordinárias formas, assemelhando-se cada vez mais às "naves redondas" mediterrâneas. Exemplo desta transformação é a "barca de Kalmar", do séc. XIII, descoberta (juntamente com vários outros cascos do sèculo. XVIII na baía de Kalmar, na Suécia, durante os trabalhos de drenagem realizados em 1932-1934.  

 

O casco de carvalho, com madeiramento de tábuas sobrepostas, comparado com o das "naves longas" mais antigas, é de uma largura desproporcionada de 4,5 m para um comprimento de 12 m. Este navio curto, rígido, provido de grossas traves, pontado, e movido por uma vela de 25 m2, sustentada por um robusto mastro plantado no centro, constituiu o protótipo do lugger inglês do séc.XIX.

 

 

Descenderam dos tipos noruegueses, além dos lugger, as lanchas (galleys) do Kent e do Sussex, e os grandes yawl da praia da costa oriental inglesa. Foram famosos os lugger de Deal, cidade do Kent dada ao contrabando; e quando este deixou de ser rendoso, os proprietários desses barcos tiveram de topar tudo o que aparecia, desde pilotar navios na Mancha, até andar à busca de despojos de naufrágios. Posteriormente os lugger foram também de 12 m, equipados "al terzo", com dois mastros e sete ou oito homens. Um lugger de Deal, O England's Glory, enfrentando uma borrasca de sudoeste, salvou para os Goodwins, em 1866. Uma carga de chá do Iron Crown: empreendimento marítimo notável que proporcionou 7.000 libras esterlinas à tripulação, como prêmio. O último lugger foi vendido em 1925, ao preço de apenas duas libras e dez xelins.  

 

As lanchas de Deal foram muitas vezes utilizadas como batéis de salvamento. Tinham, além de dez bancos de remo e uma enorme vela de terço. Estreitas, de pouca Imersão, com aquela grande vela, tinham necessidade de quase meia tonelada de lastro, que a qualquer mudança de bordo, linha de ser rapidamente deslocado para barlavento. Dois exemplares desta estupenda barca existem ainda em Deal.  

O ywal do norueguês yol uma barca de proa e popa iguais e com madeiramento de tábuas sobrepostas) da costa oriental assemelhava se muito à nave de Gokstad. Os yawl Ide dois mastros, equipados "al terzo", de 18 m de comprimento, com cerca de trinta homens) eram velozes e salvaram milhares de vidas humanas. O maior deles foi o Reideer de Great Yarmouth de 20,7m de comprimento. Podia fazer 16 nós; a sua tripulação desafiou, em 1854, o schooner América para uma regata no Mar do Norte, mas os americanos não aceitaram o desafio.

Quanto ao Jubileu de Southwold, em competição com outro yawl numa tarefa de salvamento, partiu o rival em dois. talvez de propósito, pois a sua tripulação era "uma raça temerária e selvagem", que poucas semanas antes tinha retomado dos franceses um bergantim inglês e capturado um lugger de guerra francês!