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Reprodução em marfim de uma barca encontrada em Cnosso. |
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Os navios cretenses, com marinheiros cretenses, dominaram o tráfego do Mediterrâneo, do Adriático, do Próximo Oriente.
Em 1908, um arqueólogo americano, o Prof. Seager, no decurso das escavações na pequena e deserta ilha de Mochlos, ao largo de Creta, encontrou um tesouro, esplêndido e singular, datando de 4500 a.C. Entre os objetos preciosos havia um anel de ouro maciço gravado, que representa a partida de um navio do santuário de Rea, deusa-mãe dos cretenses, protetora dos marinheiros.
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As embarcações mercantes cretenses navegaram os quatro cantos do mundo de sua época. |
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Nas escavações do palácio de Cnosso, em Creta, Sir Arthur Evans encontrou, no fim do séc. XIX, o modelo em marfim de um barco a vela com estiva e tampa de escotilha. Descobriu também raríssimos sinetes com motivos marítimos, um dos quais, datando de 1500 a 1700 a.C., encontrado entre as ruínas da vila real, perto de Cnosso, representa um barco de um mastro, que transporta um cavalo. Segundo Sir Arthur Evans, reproduzia a chegada de um dos primeiros puros-sangues importados para Creta. Provavelmente os cretenses da época navegavam com navios como esse representado neste sinete, para fundar sua colônia na costa da Palestina, cerca do ano 1200 a.C.
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Reprodução de uma nave cretense em um anel de ouro encontrado em Mochlos. |
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Em outro sinete de esteatito, que remonta ao primeiro período minóico (2800-2200 a.C.), vê-se um navio com duas velas e dois crescentes de lua sobre o mastro (talvez para indicar que a viagem havia durado dois meses). Navios de um, dois e até de três mastros aparecem em outros sinetes. Um destes, descoberto em Mirabel, tem gravado um navio com um só mastro, de vela quadrada, e com um tipo de equipamento que aparece nos clipers americanos do séc. XIX. Os cabos eram de intestinos entrelaçados. Outros modelos de navios, em terracota ou em alabastro, f oram descobertos pelos arqueólogos italianos que conduziram es cavações na parte meridional da ilha.
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Nave mercante fenícia onde pode-se notar a influência da cultura cretense. |
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Depois
de ter deixado por volta do ano 200 a.C. o berço de sua raça, na costa
setentrional do golfo Pérsico, os fenícios (ou sidôneos, como eram chamados)
se estabeleceram na costa oriental do Mediterrâneo, em Tiro e Sidon. Daí
velejaram para Cádiz, Cartago o e Marselha e depois para a Córsega e para a
Sardenha, criando colônias e fazendo concorrência aos cretenses.
Os
fenícios construíram barcos sólidos e grandes, de um só mastro, que alcançavam
um deslocamento de até 300 toneladas. Neles se encontravam várias características
dos navios egípcios e cretenses. Navegavam a vela só com vento favorável,
utilizando escravos para o remo. O prolongamento da proa terminava com uma cabeça
de cavalo esculpida, enquanto a parte saliente da popa, curvada para dentro,
tinha a forma de rabo de peixe. Imperava a pirataria e por isso os mercadores
fenícios eram bem armados. A nave de guerra dos fenícios era a birreme — uma galera com duas
ordens de remos, com
uma vela quadrada no único mastro. Veloz, fácil de manobrar, de pouca imersão,
mas também pouco apropriada para o mar, tinha como principal característica
uma ponte de combate e, além disso, um rosto maciço, em forma de corno.
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Galera fenícia com uma estreita plataforma de combate. |
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Os fenícios são considerados precursores, pois abriram novos caminhos à navegação, lançando-se para o norte até a Cornualha à procura de estanho. Mas não eram inclinados a desafiar os oceanos, como fizeram depois os normandos, e preferiam costear a terra. Talvez à força de contar estórias espantosas, para intimidar os outros marinheiros e conservar o segredo das rotas comerciais, acabaram por acreditar nelas eles próprios.