CONSTRUINDO O GALEÃO SAN FRANCISCO  PARTE - 10

Olá!
Os tutoriais sobre o modelo San Francisco está sendo feito de forma comentada já puderam comprovar!
Para tanto, estou lançando mão de cenas de filmes ou mesmo quadros de época no intuito de tentar fazer o modelo mais próximo a realidade proporcionando ao mesmo tempo o desenvolvimento da percepção de proporcionalidade aos que acompanham os tutoriais, podendo aplicar esses novos conhecimentos em futuros projetos!

Alguns amigos me mandam e-mails "reclamando"! Está muito devagar! Quando sai o kit afinal? E por aí vão as coisas!
O caso, é que esse modelo não é uma simples cópia! Se assim o fosse, bastaria copiar, reproduzir peças e importar alguns outros componentes e pronto! Fácil não?

O caso, é que gosto de pesquisar! Saber o porque das coisas e tirar minhas próprias conclusões!
Isso, infelizmente para os mais açodados, requer tempo e muito trabalho!
De uma coisa podem ter certeza! É praticamente um outro modelo!
Por tudo que aqui esta sendo comentado desde o início, dá a você a certeza que o seu modelo é uma réplica muito próxima da realidade!

Voltando ao nosso projeto!
O modelo possui diversos enxadrezados. Um no castelo de proa, no deck principal outros dois no castelo de popa, perfazendo ao todo 5 enxadrezados.
Em virtude de sua escala resultar em um modelo de tamanho reduzido, isso me força a reproduzir as peças utilizando massa plástica! Não há saída.
Em tutoriais anteriores, foi demonstrado a impossibilidade de se reproduzir esses componentes em madeira sem ter de sair da escala! É simplesmente uma limitação física!

Enxadrezados

Ao redor de cada peça será feita um perímetro em madeira.

 

Melhor explicando!
Será construído um quadro ao redor da peça.

 

As tiras de madeira deverão  ser lixadas de maneira que as arestas fiquem um pouco arredondadas.
Mas veja! Apenas um pouco.

 

 

Ao lado uma das peças pronta.
O procedimento será igual para as demais peças.

Cavilhas

Vamos agora nos concentrar nas cavilhas! Também conhecidas entre nos por malaguetas em virtude de seu formato lembrar um pouco a pimenta que lhe dá o nome.
Na imagem abaixo, tirada do filme Piratas de Roman Polansk, pode-se ter uma idéia da dimensão de uma peças dessas em relação a mão de uma pessoa!

Pode-se notar que a mão do ator consegue envolver a parte mais grossa da peça que é o seu cabo.
Observando bem, podemos chegar a conclusão que o diâmetro do cabo não ultrapassam aos 70 mm.

 

No modelo industrializado, por definição no manual de montagem, a parte mais fina da peça é de 1 mm.
Isso representa na escala de 1/ 1 a um diâmetro de 90 mm.
Imaginem o diâmetro do cabo! Muito maior ainda!
Podemos então chegar a conclusão sem sombra de dúvida que a peça está fora de escala.
 

 

Imagem retirada do filme:
A Ilha da Garganta Cortada.

Ao fundo podemos ver um conjunto de cavilhas. Dá para ver que o comprimento não ultrapassa a uns  70 cm mais ou menos.
A cavilha do modelo industrializado  tem em torno de 10 mm.
Ou seja! 90 cm de comprimento na escala de 1/1.
Muito grande na minha opinião.

 

Para ter uma peça mais próxima a escala, desenvolvi as cavilhas ao lado.
O seu comprimento é de 7 mm na escala 1/90. O seu diâmetro menor é de menos de 0,7 mm.
Multiplicado os valores acima noventa vezes veremos que elas representam uma cavilha de 63 cm de comprimento com um diâmetro de 6,3 mm, fazendo com que fiquem bem mais próximo a realidade, o que não é o caso das cavilhas colocadas no modelo industrializado!

 

As mesas das cavilhas colocadas no deck forçosamente serão colocadas sem coincidir com as aberturas dos canhões. As cavilhas trariam dificuldades na manipulação do canhão.
Serão ao todo 4 mesas nas laterais internas. Duas no deck principal e duas outras no castelo de popa.

Cintado de popa
 

Finalmente será colocado o restante do cintado na popa do modelo.. A cintas verticais devem manter a mesma distância entre si.

Portinholas da artilharia
 

O melhor é fazer o básico!
Nada de coisa muito enfeitada como está no modelo industrializado!
Nele as portinholas têm realçadas as bordas e ferragens em tons dourados e amarelo. Observem quadros de época, filmes onde aparecem reproduções dessas embarcações e muitas outras fontes de consulta!
Pode-se chegar  a conclusão de que não não era normal esse tipo de realce!
Salvo navios como o Vasa, La Courrone .... e outros que são as exceções da regra!

Mas, veja bem! Você não é obrigado a concordar comigo! Questão de gosto é muito particular!
Agora! Para quem está montando um modelo existe essa encruzilhada! Seguir pelo caminho da beleza plástica em detrimento da escala real ou  simplesmente tentar reproduzir o mais próximo possível do real respeitando ao máximo possível a escala.
Mas isso, como já afirmei antes! É um escolha de cada um! Eu prefiro o mais próximo da realidade!
 

As portinholas foram reproduzidas em metal e depois pintadas na cor marrom com tinta acrílica.
O único realce se dará por meio de uma leve clareada utilizando a técnica de pincel seco. Apenas isso e mais nada.

Outro fato a destacar são os famosos pregos dourados!
Nos modelos industrializados existe a prática de cravejar o casco com pregos de latão! Realmente fica bonito! Mas, da minha ótica, fora da realidade!
Os pregos são feitos a partir de finos pregos de latão! Mas aí vem a pergunta!
1- Qual o tamanho da cabeça desses pregos nas embarcações originais?
2- Eram feitos de que material?
3- Na realidade ficavam brilhando assim?
Quando montamos um modelo em escala, o meu conselho é que façamos sempre dois cálculos!
Um reduzindo para a escala desejada e outro no sentido inverso medindo a peça reduzida multiplicando pelo valor da escala para saber o seu tamanho na escala 1/1. No nosso caso o número é 90. Ou seja. Qualquer peça multiplicada  90 vezes nos dará o seu tamanho real.
 

Observem esse pregos. Têm em média talvez 1 mm de diâmetro.
Multiplicando 1 mm x 90 teremos uma cabeça de prego com 9 cm de diâmetro.
Não creio que isso seja verossímil!
Se o modelo fosse na escala de 1/30
o casco do modelo ficaria por volta de
1,60 m. Aí sim poderia ser! Mas nessa escala de 1/90 é um erro e dos grandes!

Vamos pegar uma carona mais uma vez na fita do Sr. Polansk. Vejam o tamanho das cabeças do pregos em relação a uma pessoa na imagem abaixo!
Pode-se afirmar com uma boa margem de certeza que as cabeças dos pregos não têm mais que 20 mm. de diâmetro certo?

Levando-se em consideração que os pregos do modelo industrializado tenham apenas 1 mm isso representaria a redução de um prego  que teria 90 mm de diâmetro no tamanho real!
Para ser exato! Nessa escala de 1/90 simplesmente somem! Deverão ficar imperceptíveis.
Vejam 20 mm divididos por 90 daria 0,2 mm ou seja dois décimos de milímetro!

 

Escurecimento do casco

O casco recebeu um escurecimento por meio de uma tintura na cor imbuia.
Achei necessário escurecer baseado em relatos e pinturas da época.
 

 

Os navios dessa época tendiam a ter uma cor escura em virtude do tratamento dado a madeira com betume no sentido de conservá-la.

 

No quadro que reproduz a Batalha de Pernambuco entre uma esquadra holandesa e uma luso-espanhola, vê-se que o artista captou esse aspecto dos cascos escuros. Mas creiam!
Não foi apenas ele! Muitos outros quadros de época seguem a mesma tendência!