NUESTRA SEÑORA DE ATOCHA

 

O Nossa Senhora de Atocha era um típico galeão espanhol do início do século XVII, com um castelo de popa alto, meia-nau baixa e castelo de proa também elevado. Fora construído em 1620 em Havana para a coroa espanhola tendo apenas feito uma viagem até a metrópole. O seu nome fora a maneira encontrada de fornecer uma proteção adicional haja vista ser a denominação de um grande centro da fé cristã na Espanha!
Um fato curioso, quase como um mau presságio do que o aguardava em um futuro próximo,  foi que o mastro principal nessa sua primeira viagem quebrou!
O Atocha foi carregado com 22 toneladas em lingotes de prata, lingotes e discos de ouro, canhões de bronze, lingotes de cobre, 525 fardos de tabaco e muitos outros objetos preciosos contrabandeados que não estavam relacionados no conhecimento de embarque!
Os demais navios também estavam muito carregados com preciosidades! Perolas da Venezuela, prata do Peru.

Um tesouro de valor incalculável mesmo para os dias de hoje! No domingo, 4 de setembro de 1622, com o clima quase perfeito, a decisão foi tomada e a frota zarpou rumo a Espanha. Os vinte e oito navios da frota combinada levantaram âncora e em fila única  aproando para o norte rumo a Flórida para aproveitar a correntes do Golfo.O Atocha assumiu a sua posição atribuída na parte traseira. No início da noite, ventos vindos de nordeste começaram a aumentar de intensidade ficando muito mais forte durante a noite. Ao amanhecer o mais seguro seria procurar a refugio no Golfo do México. Infelizmente para o Nuestra Señora de Atocha,  N. S. del Rosario, Santa Margarita e outras duas embarcações menores isso não foi possível. Por estarem no final do comboio, receberam todo o impacto da tempestade! 

Com as suas velas   reduzidas a farrapos, os mastros e aparelhos destruídos, os navios foram arremessados sobre os recifes. Todos os cinco navios que foram perdidos! O Atocha sendo levantado no alto de uma onda  bateu violentamente em um recife de coral afundando rapidamente ao fazer água e ser puxado para o fundo pelo peso de sua preciosa carga.

 No dia seguinte, um pequeno navio mercante navegando através dos escombros resgatou cinco sobreviventes do Atocha dentre 265 pessoas que estavam a bordo. Três tripulantes e dois escravos que tiveram a sorte de ficarem agarrados a única parte do navio que sobressaia sobre a água, o topo do mastro da menzena. Tentativas de resgate começaram imediatamente. O Atocha estava a 55 (17 m) pés abaixo da superfície.  Mergulhadores prendendo tendo como recurso apenas prender a respiração tentaram sem sucesso recuperar alguma coisa, mas não foram capazes de quebrar as escotilhas. O jeito foi desistir, marcar local e continuar à procura de destroços de outra embarcação. O Rosário foi encontrado em águas mais rasas e sendo bem mais fácil salvar sua carga. Os os outros dois navios não foram localizados.

 

Dobrão espanhol

 Posteriormente, enquanto o pessoal estava em Havana para obter o equipamento adequado para recuperar o tesouro do Atocha, um segundo furacão devastou a área destruindo tudo que restara da tempestade anterior. Ao retornar ao local do naufrágio não foi mais possível encontrar nenhum vestígio da embarcação apesar das sucessivas tentativas nos 10 anos que se seguiram. No entanto, a Santa Margarita foi descoberto em 1626 e grande parte da sua carga recuperada. Com o passar do tempo o naufrágio do Atocha foi fatalmente caindo no esquecimento. Apesar dos documentos escritos na época terem sido muito tempo depois  finalmente localizados indicando sua rota das Índias, em Sevilha, Espanha estes documentos, como o próprio tesouro, permaneceram na obscuridade a espera por séculos a fio.
 

Lingotes e barras de metal precioso que estavam a bordo no N S de Atocha.


Por muitos anos procurou-se o tesouro do N.S de Atocha sem sucesso! Mas, a partir de
1969 Mel Fisher e sua equipe iniciou uma incansável caça ao tesouro vindo apenas ter sucesso efetivamente em 1973 quando três barras de prata foram encontradas. Confrontando os números cravados nas barras com os números de registro do manifesto de carga original da embarcação em Sevilha, constatou-se que eram do N. S. de Atocha.  Em 1975, seu filho Dirk encontrou cinco canhões de bronze, cuja marcação coincidiam com os números de identificação do Atocha, mas ainda não se encontrara o tesouro todo!
 

Bezoar de ouro resgatado dos naufrágio do N S de Atocha


Em 1980, foi encontrada uma significativa quantidade dos restos da Santa Margarita.  Era uma fortuna em barras de ouro, jóias e moedas de prata. Em 12 de maio de 1980, filho de Fisher Kane descobriu uma secção completa do casco de madeira do Santa Margarita, achando ali  balas de ferro de canhão e muitos outros artefatos espanhóis do século XVII. Em 20 de julho de 1985, Kane Fisher capitão do navio de salvamento Dauntless, enviou uma mensagem eufórica para seu pai! "Deixe de lado as cartas, nós encontramos o tesouro principal!"
Membros da tripulação descreveram-no como um recife de barras de prata. Dias depois chega a confirmação de que se tratava realmente do tesouro do N. S. de Atocha ao confrontar os números das barras com os do manifesto de embarque do navio.

Rapidamente, Duncan Mathewson, arqueólogo-chefe de Mel Fisher, montou uma equipe de arqueólogos e conservadores de todo o país para garantir que os artefatos e tesouros recuperados fossem conservados adequadamente. O material estava no leito do oceano há pelo menos três séculos e meio. Isso deixava os objetos extremamente frágeis e vulneráveis, sendo necessário receber tratamento de preservação imediata para evitar sua destruição depois de deixar o fundo do oceano.

Hoje artefatos e tesouros da Atocha e do Santa Margarita formam a base da coleção do Mel Fisher Maritime Heritage Society Museu.