TRIREME ROMANO


A Batalha de Ácio (2 de setembro do ano 31 a.C.) na qual Otávio derrotou Marco António, assumiu o nome de Augusto e tornou-se o primeiro imperador de Roma. A frota romana era basicamente formada por barcos de guerra grandes e pesados, chamados trirremes. Inspirados no modelo grego, tinham três filas de remadores: os thranitas (superior), que manipulavam remos de 4 metros; os zygitas central), cujos remos mediam 3 metros; e os talamitas (inferior), com remos de 2 metros. Uma teoria afirma que os bancos eram dispostos cm níveis, sendo cada fila um pouco mais baixa do que a anterior; mas outra interpretação sustenta que os thranitas e zygitas iam sentados num banco superior, com os remos passando por diferentes orifícios do costado. Com ventos favoráveis, essas galeras podiam atingir uma boa velocidade graças à vela redonda aparelhada no seu único mastro.

AS ARMAS DE COMBATE

As táticas navais romanas eram uma adaptação direta dos métodos utilizados pela infantaria: baseava-se manobrar facilmente para conseguir uma posição favorável. Uma vez alcançada esta posição, os contendedores lançavam flechas e dardos, procurando "esporar" e abordar o inimigo.

Em seguida, podia começar a luta corpo a corpo, na qual eram utilizadas armas como adagas, punhais, espadas, machados e maças. A proteção pessoal dos soldados limitava-se ao escudo e à armadura. Descendente direto das galeras gregas, essas poderosas embarcações dominaram os mares de sua época. Um grande esporão blindado, situado na linha de flutuação ou debaixo da água, era parte integrante da proa do barco.

Constituía uma terrível arma ofensiva e provocava quase sempre o afundamento do barco inimigo. No entanto, se este último fosse fácil de manobrar e soubesse escolher o momento oportuno, bastava afastar-se para evitar ser atingido.


Durante as primeiras guerras púnicas (264-242 a.C, e 218-202 a.C.), os cartagineses utilizavam com freqüência a seguinte tática ofensiva: atacar com o esporão e retroceder rapidamente. Para se defender com eficácia dessa prática, os romanos desenvolveram uma técnica que impedia a fuga do barco agressor após o ataque e facilitava a entrada da sua infantaria na galera inimiga. Para que os cabos de abordagem   na extremidade dos quais se prendiam ganchos   pudessem ser facilmente cortados com uma faca, criou-se um diapositivo conhecido por corvus (bico), que era ao mesmo tempo uma espécie de arpão e uma plataforma de abordagem. Esse dispositivo era fixado verticalmente em um pequeno mastro localizado junto à proa da galera e ligava-se à coberta por uma dobradiça situada na base. Na parte inferior havia um pesado arpão de ferro que constituía o corvus propriamente dito capaz de penetrar na coberta de um navio e se fixar com firmeza suficiente para que a infantaria romana pudesse invadi-lo.  

As batalhas eram praticamente uma extensão das batalhas terrestres.           

 

Dois séculos depois, os técnicos do general romano Agripa aperfeiçoaram outro sistema para "enganchar" um barco a distância: formado por uma grande trave, com mais de 2 metros de comprimento, revestida de ferro para protegê-la dos machados. Em cada ponta estava preso um grande anel; em cada um deles, encaixava-se um gancho de ferro, e no outro, prendia-se um cabo grosso. O harpax era laçado do por uma catapulta. Quando o seu gancho se prendia ao casco, puxava-se o cabo com o auxilio de um cabrestante. Aos poucos, os barcos se aproximavam permitindo a abordagem. Esse sistema funcionava perfeitamente exceto quando um punhal, fixado à extremidade de uma longa vara, cortava o cabo do navio.

OUTROS TIPOS DE GALERA

Embora fossem considerados instrumentos bélicos competentes, as triremes eram grandes, pesadas e difíceis de manobrar, perdendo em termos de agilidade e eficácia para embarcações menores. Isso ficou claro na Batalha de Ácio. quando os barcos de Marco Antônio foram vencidos pelas pequenas e ligeiras galeras de Agripa, comandante da frota de Augusto. Uma dessas embarcações menores era a bireme, uma galera com duas filas de remos: os maiores eram colocado em cima e os mais curtos embaixo, calculando-se um para cada fila ou seja, 36 remos de cada lado.

Além dos 108 remadores (havia dois para os remos maiores) a tripulação deveria compreender 20 marinheiros e 80 soldados apenas, num total de mais de 200 pessoas. Alcançava a aproximadamente 4,5 nós de velocidade que se mantinha durante duas horas, mas não chegava aos dois nós em percursos mais longos.  

 

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A recuperação da popularidade da bireme foi uma consequência da transformação da trireme em quadrireme e pentareme. Embora o significado destes termos ainda seja discutido pêlos especialistas do assunto. Uma teoria defende que as galeras tinham um homem em cada remo e quatro ou cinco filas disposta umas sobre as outras. Isso poderia levar-nos a pensar que as setiremes e as octorremes tinham sete e oito filas de remos, ou seja, que os barcos eram pouco manobráveis. Outra teoria sustenta que os termos, quadrireme e pentareme se referiam ao número de remadores para cada série de três remos.