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A galera de guerra atingiu o auge do seu desenvolvimento durante as lutas da Liga Santa contra as incursões turcas na Europa, que culminaram com a batalha de Lepanto em 1571. No entanto, ao longo de dois mil anos o seu aspecto não se alterou muito em relação ao dos barcos usados pêlos antigos gregos, em razão de as experiências realizadas ao longo do tempo com diversos esquemas de remada terem demonstrado a eficácia de uma única fila de grandes remos em vez de várias com remos menores. Um dos aspectos que mais distinguia a galera dessa época em relação às anteriores consistia na incorporação de uma plataforma para canhões e, portanto, com capacidade para danificar ou destruir outros barcos a curta distância. Fazer download da imagem arquivo com 730 KB: Clique aqui
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O navio-almirante de D. João da Áustria, comandante da trota da Liga Santa na batalha de Lepanto era um magnífico exemplo de típico navio de comando, conhecido corno galera real ou Real. Embora fosse muito decorado era de construção bastante simples, para limitar ao máximo o peso total (e, portanto, para reduzir ao mínimo a superfície submersa e a conseqüente resistência hidrodinâmica) e porque esse tipo de navio não se destinava a durar muito tempo.
Começava-se a construir o casco pela quilha, formada por um certo número de madeiras unidas entre si e à qual se fixava o cadaste. Depois, colocavam-se as 162 cavernas ao longo da quilha a intervalos de 30 cm. Seguidamente, montava-se a sobrequilha, para que os extremos inferiores das cavernas ficassem fixos entre estas e a quilha, e o conjunto era apertado com compridos pregos de ferro, dobrados na extremidade, como rebites rudimentares.
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Popa da galera Real exposta no museu de Barcelona. Pode-se aqui notar a riqueza de detalhes de sua decoração. Uma verdadeira obra de arte flutuante! |
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Chegava
o momento de tratar da parte superior das cavernas, unindo os extremos de uma
mesma caverna por meio de um vau. Os vaus constituíam as vigas sobre as quais
se apoiava a coberta e apresentavam uma ligeira curvatura para ajudar a uma
melhor evacuação da água tendo o centro levantado cerca de 30 cm em relação
ao eixo. Todas as madeiras eram bastante leves: as cavernas mediam 10 x 14 cm e
os vaus. 10 x 12 cm. O navio, com 48 m de comprimento por 7,5 m de boca tinha só
uma fila de remos em cada costado.
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Área do tombadilho onde se encontravam os alojamentos dos oficiais. Essa área da embarcação estava decorada com grande suntuosidade. |
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No tempo da batalha de Lepanto, as galeras, e de modo especial as Reais, começaram a ter uma importante superestrutura na coberta de proa, semelhante à que desde ha algum tempo se encontrava a popa. Oferecia uma boa posição para os arcabuzeiros e os arqueiros, mas o seu principal objetivo era proteger o canhão que trazia. Mesmo sem alcançar as proporções da superestrutura das galés da época, oferecia altura livre suficiente aos artilheiros que se encontravam no interior.
A
galera de D. João só estava armada com cinco canhões, todos à proa e
apontados para a frente: uma peça de 36 libras a meia-nau, ladeada por duas de
8, por sua vez com duas de 6 libras nos costados exteriores. A unidade também
levava alguns canhões giratórios ligeiros. Possivelmente, as armas dirigidas
para a frente destinavam-se a disparar apenas uma vez durante o combate, já que
o seu recarregamento obrigaria os artilheiros a trabalhar sob a coberta de proa
totalmente exposta, o que equivalia a um suicídio.
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Detalhe do painel decorativo localizado nas laterais dessa suntuosa embarcação. A riqueza de detalhes é simplesmente incrível! |
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Além do referido armamento, uma Real chegava a levar 400 soldados de infantaria para a segunda fase da luta, ou seja, a abordagem com os ganchos, segundo um costume da época. Se acrescentarmos os 420 remadores necessários para impulsionar o navio e os homens para içar e manobrar as velas, além dos oficiais e de outros em menor numero, quando estavam a postos para o combate, a unidade devia levar a bordo aproximadamente mil pessoas. No entanto, uma galera comum desse tamanho também transportavam uma tripulação composta por cerca de 500 homens.
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Com um grande número de balizas, essa embarcação levava 420 remadores dispostos em grupos de seis em cada um dos 35 remos em cada lado. |
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Para
os percursos mais longos, a Real levava duas velas latinas, uma no traquete de
126 m2 e outra no grande de 565 m2, sendo ambas relativamente grandes. Nem o
mastro do traquete (15 m) nem o grande (22 m) eram muito altos, mas as vergas,
que realmente levavam as velas, tinham um comprimento superior (26m e 50 m,
respectivamente). Os mastros e as vergas também eram os suportes ideais para
uma grande quantidade de bandeiras e estandartes que uma galera costumava içar
em combate, quando se arriavam as velas. Para deixar espaço suficiente para as
vergas, os dois mastros eram montados mais à proa do que o habitual num barco
que navegasse só à vela. O traquete estava montado no início do castelo de
proa e o grande ficava muito avançado em relação ao centro do navio.